Flávio Bolsonaro recua em estratégia internacional e tenta conter desgaste de “tarifaço” dos EUA no Brasil

​A recente proposta dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre as importações brasileiras gerou um forte abalo nos bastidores de Brasília e colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) no centro de uma complexa crise de narrativa. O movimento norte-americano, que ameaça atingir diversos setores produtivos da indústria nacional, desencadeou reações imediatas da base governista e de setores do empresariado, que passaram a apelidar o episódio de “tarifaço” ou “TariFlávio”.

​O apelido ganhou força após o histórico de manifestações de integrantes do clã Bolsonaro, que anteriormente chegaram a vincular as sanções dos EUA e a pressão internacional a questões da política interna brasileira, incluindo embates com o Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, diante do potencial prejuízo econômico ao país e do consequente desgaste de sua imagem política, o parlamentar iniciou uma mudança de postura para tentar afastar o rótulo de que estaria agindo contra os interesses nacionais.

​O recuo tático e a nova blindagem política

​Se no início da crise as publicações ligavam as restrições a retaliações políticas, o discurso agora foi redirecionado. Flávio Bolsonaro alterou o foco de suas manifestações públicas, deixando as críticas ao Judiciário de lado e concentrando o contraponto no Palácio do Planalto. A nova estratégia da campanha do senador busca argumentar que as barreiras comerciais e a investigação que motivou a recomendação das tarifas são reflexos diretos da condução da política externa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

​Aliados políticos do Centrão e do PL admitem reservadamente que a associação com o tarifaço norte-americano representava um risco severo de derretimento político. Para conter os danos, o senador enviou uma carta formal a autoridades norte-americanas, como o senador Marco Rubio, traçando um panorama da situação fiscal e econômica brasileira para justificar por que o imposto seria prejudicial e, mais recentemente, solicitou formalmente espaço para discursar e participar de uma audiência pública de debate nos EUA.

​A reação do governo e os próximos passos comerciais

​Por outro lado, o governo federal reagiu prontamente, qualificando as justificativas técnicas para as sobretaxas como “inconsistentes” e articulando reuniões de emergência com câmaras de comércio para blindar os setores que correm mais riscos. Integrantes da base governista acionaram instâncias jurídicas para apurar a atuação do parlamentar no exterior, sustentando que interesses eleitorais não podem se sobrepor à economia nacional.

​A investigação norte-americana, que avalia pontos que vão desde o comércio digital e segurança jurídica até aspectos concorrenciais, tem um prazo decisivo estipulado para meados de julho. Até lá, a disputa de narrativas em solo brasileiro deve continuar intensa, com a oposição tentando transformar o tarifaço em uma falha diplomática do governo atual, enquanto os governistas mantêm a pressão para expor as contradições da proximidade da família Bolsonaro com as alas mais protecionistas da política dos EUA.

​Para entender em detalhes como o Partido Liberal e os articuladores políticos avaliaram o impacto inicial dessa crise na imagem do senador e as primeiras reações de sua equipe de campanha, assista à análise sobre como o PL prevê desgaste de Flávio Bolsonaro com proposta de novas taxas.


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