A despeito da informação oficial divulgada à imprensa e à sociedade em meados de maio, o Governo do Paraná não oficializou a demissão de Luiz Roberto Costa, conhecido como Beto Costa. Investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por movimentações financeiras suspeitas de R$ 21,5 milhões, o ex-prefeito de Goioerê permanece ativo no Portal da Transparência, constando inclusive com reajuste em seus vencimentos.
A contradição no Portal da Transparência
No dia 15 de maio, data em que a Operação Enigma foi deflagrada pelo Gaeco, a Casa Civil do Governo do Estado emitiu uma nota contundente afirmando que o servidor comissionado havia sido exonerado de forma imediata na mesma manhã.
No entanto, dados extraídos do próprio Portal da Transparência mostram que Beto Costa segue listado como Assessor Especial da Casa Civil, com indicação de exercício no gabinete da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (SEAB). A consulta ao sistema revela que, além de não ter o desligamento publicado, o servidor teve um incremento salarial recente registrado na folha de pagamento.
O esquema sob investigação do Gaeco
A Operação Enigma apura a prática de crimes como lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e sonegação fiscal. O núcleo da investigação aponta inconsistências profundas na evolução patrimonial do assessor:
- Movimentação sem lastro: Um relatório técnico do Ministério Público (MP) apontou que Beto Costa movimentou R$ 21.519.048,52 em recursos de origem ilícita no período entre janeiro de 2009 e agosto de 2022.
- Dinheiro em espécie e cheques: As autoridades identificaram o recebimento de R$ 5,7 milhões sem origem declarada (sendo quase R$ 1 milhão em dinheiro vivo), além de saques injustificados que totalizam R$ 11,9 milhões por meio de cheques e espécie, sem a identificação dos destinatários finais.
- Empresas vinculadas: O MP identificou transações suspeitas envolvendo pessoas jurídicas ligadas ao ex-prefeito. Uma das empresas apresentou margens de lucro bruto de até 31.713% em um único ano corrente, índice considerado pelos investigadores como totalmente incompatível com a atividade imobiliária lícita.
Bloqueio de bens e bastidores políticos
Por determinação do Juízo de Garantias da Vara Criminal de Goioerê, foram expedidas ordens de busca e apreensão no Paraná e em Santa Catarina, resultando no recolhimento de celulares, documentos e veículos de luxo. A Justiça também decretou o bloqueio patrimonial de R$ 21,5 milhões em bens, imóveis e contas bancárias do investigado.
Aliado político próximo e considerado braço direito de lideranças do núcleo do governo estadual, Beto Costa chegou a ser fortemente cotado no início deste ano para assumir o comando da Secretaria de Agricultura do Estado.
Situação atual: Até o momento, o Poder Executivo estadual não apresentou justificativas formais sobre a divergência entre o anúncio público de demissão e a permanência do investigado na folha de pagamento do Estado. A defesa de Luiz Roberto Costa não foi localizada para se pronunciar sobre o caso, permanecendo o espaço aberto para manifestações.









Deixe um comentário