A bolsa de valores brasileira passou por uma forte correção técnica recentemente, impulsionada de forma significativa pela debandada do capital estrangeiro. De acordo com um levantamento exclusivo realizado pela plataforma de investimentos Nomos, esse movimento empurrou o Ibovespa para múltiplos de negociação historicamente baixos, transformando o principal índice da B3 em um dos mercados “mais baratos do mundo” quando comparado tanto a economias desenvolvidas quanto a outros pares emergentes.
Enquanto índices nos Estados Unidos, como o Nasdaq, negociam com múltiplos esticados — muitas vezes oscilando entre 24 e 25 vezes o lucro —, o mercado brasileiro sofreu com uma rotação global de portfólios. O fluxo de capital internacional migrou para Wall Street em busca do rali de tecnologia e inteligência artificial, além de buscar proteção em títulos públicos norte-americanos.
Estrategistas da Nomos avaliam que o atual patamar de preços abre uma assimetria relevante e uma janela de oportunidade para investidores focados no longo prazo. O argumento principal é que diversas companhias brasileiras consolidadas e fortes pagadoras de dividendos sofreram quedas acentuadas, superiores a 20%, sem uma deterioração equivalente em seus fundamentos operacionais.
O movimento de retração recente afetou de forma mais severa os setores cíclicos domésticos, que dependem diretamente da atividade econômica interna, como o varejo, o consumo e a construção civil. Analistas recomendam cautela com essas ações mais vulneráveis ao cenário de juros, mas apontam que o desconto generalizado do Ibovespa pode atrair novamente os “gringos” assim que os ruídos conjunturais de curto prazo se dissiparem.
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