Impulsionado por bancada no Congresso, PL de Flávio Bolsonaro e Lula concentram um terço do Fundo Eleitoral de 2026

​O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou a divisão oficial dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para as eleições gerais de 2026. Mesmo sem o aumento do bolo total de R$ 4,96 bilhões em relação ao pleito anterior, a reorganização das forças políticas no Congresso Nacional provocou uma mudança drástica na distribuição das fatias, consagrando o Partido Liberal (PL), legenda do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, como o maior beneficiado.

​O PL conseguiu triplicar sua cota em um período de quatro anos. Nas eleições de 2022, o partido contou com R$ 288,5 milhões (5,82% do fundo). Agora, para a campanha de 2026, a sigla saltou para expressivos R$ 881,7 milhões, o que representa 17,77% do total disponibilizado pela Justiça Eleitoral.

​A engrenagem por trás do crescimento

​A explicação para o salto financeiro do PL está diretamente atrelada aos critérios legais de partilha do fundo, que privilegiam o tamanho das bancadas eleitas. Do montante total do fundo, 48% são distribuídos com base no número de deputados federais e 15% conforme a representação no Senado.

​Como o PL registrou um crescimento expressivo nas urnas em 2022, o reflexo financeiro veio em cheio para o ciclo atual:

  • Câmara dos Deputados: O partido passou a ter 98 deputados considerados no cálculo atual (contra 37 no período anterior), elevando a verba dessa faixa de R$ 171,8 milhões para R$ 455 milhões.
  • Senado Federal: A bancada considerada saltou de apenas 2 para 15 representantes, fazendo com que a cota da ala senatorial subisse de R$ 18,8 milhões para R$ 137,8 milhões.

​Polarização financeira e o desafio das siglas menores

​Os dados do TSE reforçam a forte concentração de recursos nas mãos das principais forças políticas do país. O Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aparece na segunda posição do ranking, com direito a R$ 615,4 milhões. Juntos, o PL de Flávio Bolsonaro e o PT de Lula controlam praticamente um terço de todo o Fundo Eleitoral de 2026.

​Se somarmos as sete maiores legendas do país — que incluem também o União Brasil (R$ 526,2 milhões) e o PSD —, o grupo abocanha mais de 70% dos R$ 4,96 bilhões. Cientistas políticos apontam que esse cenário impõe um desafio de sobrevivência para os partidos menores, uma vez que há uma correlação histórica muito forte entre o volume de recursos disponíveis e a capacidade de capilaridade e sucesso nas urnas.


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