Incompatibilidade de agendas e “excesso de velocidade”: defesa de Flávio Bolsonaro pede mais tempo à PF para depoimento sobre calúnia contra Lula

​A Polícia Federal (PF) enfrenta obstáculos para conseguir colher o depoimento do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar é investigado em um inquérito por suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O prazo inicial de dez dias estipulado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), venceu sem que a oitiva fosse realizada, levando a defesa do parlamentar a acionar a Suprema Corte para solicitar uma prorrogação.

​O caso teve início após a PF concluir, em relatório enviado ao STF, que Flávio Bolsonaro cometeu crime de calúnia ao publicar uma postagem em suas redes sociais associando a imagem de Lula à do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro — no dia em que o líder estrangeiro foi capturado pelos Estados Unidos. Na postagem, Flávio insinuou que o atual presidente brasileiro seria “delatado” em esquemas que envolveriam tráfico internacional de drogas, armas e lavagem de dinheiro. Diante do relatório da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) recomendou que o senador fosse ouvido, apontando que o depoimento seria uma oportunidade inclusive para eventual retratação.

​Divergência de agendas e oferta de videoconferência

​De acordo com informações enviadas pela Polícia Federal a Alexandre de Moraes, os investigadores buscaram viabilizar o depoimento de diversas formas, inclusive oferecendo a opção de uma oitiva por videochamada para facilitar o agendamento do congressista.

​Em contrapartida, os advogados de Flávio Bolsonaro protocolaram uma petição negando qualquer tipo de “descaso” com as autoridades. A defesa argumentou que o não comparecimento decorreu de uma “incompatibilidade de agendas”, justificando que o curto prazo fixado coincidiu com os intensos compromissos de sua pré-campanha presidencial, que incluem viagens e eventos previamente agendados.

​Os defensores do senador também contestaram o ritmo dos trabalhos investigativos, afirmando que o inquérito tramita em uma “velocidade ímpar” e ressaltando que a prorrogação do prazo para o depoimento não trará prejuízos ao andamento do caso, uma vez que a apuração tem menos de três meses de duração. Caberá agora ao ministro Alexandre de Moraes avaliar se concede uma nova data e um prazo estendido para que o senador preste esclarecimentos.


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