Em entrevista exclusiva concedida ao programa Frente a Frente — uma parceria entre o portal UOL e o jornal Folha de S.Paulo —, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, popularmente conhecida como Janja, defendeu enfaticamente a sua postura no governo. Durante a conversa, a socióloga afirmou que o Brasil “nunca teve uma primeira-dama que trabalha de forma efetiva” como ela, traçando um comparativo com a atuação de perfis históricos na posição de cônjuge presidencial.
Janja rebateu as constantes críticas que recebe sobre a falta de transparência em suas agendas, viagens e despesas. De acordo com a primeira-dama, a sua rotina inclui idas quase diárias ao Palácio do Planalto para participar de reuniões de trabalho e acompanhar agendas governamentais oficiais. No entanto, ela disparou críticas direcionadas aos meios de comunicação brasileiros, alegando que a cobertura jornalística foca excessivamente em “fofocas” de cunho pessoal em vez de dar espaço às suas atuações em causas sociais fundamentais, como o combate ao feminicídio e à insegurança alimentar.
”Todas as minhas agendas são públicas. Se a imprensa não quer saber ou as pessoas não querem saber, aí não é responsabilidade minha”, pontuou a primeira-dama.
Preconceito, misoginia e eleições de 2026
Durante o programa, apresentado pela jornalista Daniela Lima (UOL) e pelo editor da coluna Painel, Fábio Zanini (Folha), Janja associou a forte resistência que sofre a preconceitos estruturais do país. “Tenho certeza absoluta de que muito do preconceito contra mim é um preconceito de classe”, declarou. A socióloga comparou sua trajetória à de Ruth Cardoso, intelectual e ex-primeira-dama durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, pontuando que, por vir de uma família pobre e não ter optado por seguir carreira acadêmica formal de mestrado ou doutorado, sua atuação de rua e militância é recebida com maior fricção.
A primeira-dama também abordou o cenário político atual e as eleições presidenciais que se aproximam. Diante dos questionamentos sobre uma possível candidatura própria no futuro, ela foi taxativa ao rechaçar o plano: “Não sou candidata a nada, não pretendo ser”. Janja projetou ainda que sua maior ambição após um eventual segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é recuperar uma rotina pessoal de casal privado.
O debate sobre a representatividade feminina também esteve no centro de suas declarações. Janja defendeu a aprovação de uma reserva de 50% das cadeiras do Legislativo para mulheres e se solidarizou publicamente com figuras do campo oposto, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a senadora Damares Alves, que recentemente sofreram ataques de teor machista e misógino. Para Janja, independentemente de divergências ideológicas, a união contra a misoginia deve prevalecer na arena política nacional.
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