Nunes Marques propõe selo do TSE para premiar institutos de pesquisa com maior acerto em eleições e gera debate no setor

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, apresentou nesta terça-feira (14 de julho de 2026) uma proposta que promete mexer com a dinâmica dos levantamentos de intenção de voto no Brasil. Em reunião com representantes de 19 institutos de pesquisa, o magistrado sugeriu a criação de uma certificação honorífica batizada provisoriamente de Selo Acurácia Eleitoral, voltada a premiar as empresas cujas estimativas mais se aproximarem dos resultados oficiais das urnas.
A medida, no entanto, abriu uma intensa discussão entre a Corte e especialistas do setor, que apontam limitações metodológicas na proposta.

Detalhes da proposta e o “Selo Acurácia Eleitoral”

Apresentada em formato de minuta de resolução, a iniciativa tem o objetivo de valorizar o esforço técnico e ampliar a confiança pública nos levantamentos. Pelo texto inicial apresentado pelo ministro, seriam avaliadas apenas as pesquisas de boca de urna e aquelas divulgadas nos sete dias que antecedem a votação.

“É chegado o momento da Justiça Eleitoral laurear as empresas que a cada ciclo dedicam os seus maiores esforços em favor da democracia. Essa iniciativa destina-se ao reconhecimento das entidades cujas estimativas apresentem o maior grau de aderência aos resultados oficiais”, declarou Nunes Marques durante a abertura do encontro.

Os institutos participantes receberam o documento para análise e têm até a próxima sexta-feira (17 de julho de 2026) para encaminhar suas considerações e sugestões ao tribunal, antes que o tema seja formalmente apreciado e votado pelo plenário do TSE.

Resistência e críticas de especialistas

Apesar das intenções de diálogo da Corte, o anúncio não foi recebido com unanimidade. Representantes de institutos tradicionais e cientistas políticos manifestaram forte preocupação com a ideia de criar uma espécie de “ranking” oficial de acertos.

  • Pesquisa não é previsão: Durante a reunião, representantes de institutos como o Datafolha lembraram que os levantamentos refletem a opinião do eleitor no momento em que a entrevista é realizada, e não um prognóstico final do resultado. Mudanças de última hora no comportamento do eleitor são comuns e legítimas em democracias.
  • Foco na metodologia, não no resultado: Especialistas apontam que o papel do TSE não deveria ser o de “chancelar” ou certificar acertos de resultados, mas sim fiscalizar o rigor científico dos questionários, a transparência dos dados coletados e a presença de profissionais de estatística habilitados no processo.
  • Risco de práticas oportunistas: Há o receio de que um selo focado estritamente no “acerto” possa estimular os institutos a adotar posturas mais conservadoras ou metodologias menos inovadoras para evitar desvios em relação à média do mercado.
    O encontro contou com a presença de representantes de grandes empresas de opinião pública, como Atlas Intel, Real Time Big Data, Datafolha, GPP, IPRI e Genial/Quaest, além dos ministros do TSE Floriano de Azevedo Marques, Antonio Carlos Ferreira, Estela Aranha e do procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa.
    O tribunal reforçou que a proposta é inicial e que o debate continuará aberto para garantir que eventuais regras promovam a transparência sem interferir na autonomia científica das entidades.
    Nunes Marques busca ampliar debate sobre pesquisas eleitorais
    Este vídeo ajuda a entender as discussões anteriores conduzidas pelo presidente do TSE em relação ao aperfeiçoamento das regras e fiscalização do setor de pesquisas de opinião no país.

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