O Palácio do Planalto vive dias de intensa articulação política. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia a permanência do senador Jaques Wagner (PT-BA) na liderança do governo no Senado. A continuidade do parlamentar no cargo tornou-se insustentável para diversos interlocutores governistas após o senador virar alvo da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
A investigação apura fraudes e favorecimentos envolvendo o conglomerado do Banco Master. Esta é a primeira vez que os desdobramentos do caso atingem diretamente o núcleo político do Executivo Federal.
O peso das investigações e a pressão de aliados
Deflagrada com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), a nova fase da operação realizou buscas e apreensões em endereços ligados a Jaques Wagner. Relatórios recentes da PF indicam mensagens e áudios que sugerem um engajamento contínuo do senador com pautas de interesse do banco no Congresso, além de suspeitas de vantagens econômicas.
Apesar de Wagner ter afirmado publicamente que conta com a confiança do presidente e que sua permanência depende exclusivamente de Lula, o clima nos bastidores aponta para uma saída iminente:
- Desconforto na base: Aliados de Lula avaliam que o tom defensivo das manifestações recentes de Wagner acabou por expor o próprio presidente.
- Blindagem ética: Conselheiros políticos defendem que o afastamento é o melhor caminho para evitar o desgaste da imagem do governo, transformando a ação da PF em uma demonstração de que a atual gestão não interfere nas investigações policiais.
- Resistência interna: O senador e o PT baiano ainda resistem ao afastamento imediato, sob o argumento da presunção de inocência — tese que recebeu o apoio público do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O que diz a defesa
A defesa de Jaques Wagner reitera veementemente que o parlamentar não atuou ou intermediou projetos favoráveis ao Banco Master. Segundo os advogados, as interações citadas nos relatórios policiais possuem caráter estritamente pessoal e a atuação do senador no Congresso sempre seguiu os parâmetros do interesse público. Da mesma forma, os representantes dos empresários investigados afirmam que suas atividades sempre ocorreram rigorosamente dentro dos limites da legalidade.
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