Lula e cúpula petista entram em alerta após operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner

​A cúpula do governo federal e os articuladores políticos da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entraram em estado de alerta máximo nesta semana. O motivo foi o desdobramento da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), que teve como um de seus principais alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo no Senado e um dos aliados mais longevos e influentes do presidente.

​A investigação da PF apura se o parlamentar recebeu vantagens indevidas estimadas entre R$ 3,5 milhões e R$ 8,35 milhões para atuar no Congresso Nacional em benefício de interesses do Banco Master. Durante as buscas e apreensões realizadas em endereços ligados a Jaques Wagner no Distrito Federal e na Bahia, os agentes federais apreenderam expressivas quantias de dinheiro em espécie, incluindo cerca de US$ 49 mil em Brasília, além de euros e reais em Salvador.

​Nos bastidores do Palácio do Planalto e do Partido dos Trabalhadores (PT), o clima é de profunda preocupação com o desgaste político. Embora a diretriz pública do governo seja a de garantir total autonomia às investigações e à Polícia Federal, membros da legenda temem que o episódio contamine a agenda legislativa e respingue na imagem do governo. Setores do próprio PT, incluindo o vice-líder do governo na Câmara, deputado Rogério Correia (PT-MG), chegaram a sugerir publicamente que Wagner deveria se afastar da liderança no Senado para focar em sua defesa.

​Apesar da pressão externa e de opositores, o presidente Lula agiu rapidamente para conter danos internos e manter a coesão de sua base. Em telefonema realizado logo após a operação, Lula prestou solidariedade ao senador, reafirmou sua confiança de quase cinco décadas e classificou a ação como uma “tentativa de desestabilizar” a articulação governista. Em discursos públicos subsequentes, o presidente optou por ignorar o tema, mantendo o foco nas agendas institucionais.

​Jaques Wagner, por sua vez, negou enfaticamente qualquer irregularidade ou atuação em favor do Banco Master e informou que permanecerá no cargo enquanto contar com o respaldo do presidente da República. Em manifestações à imprensa, o senador argumentou que os valores em moeda estrangeira encontrados em sua residência são de origem estritamente legal, provenientes de diárias de viagens oficiais internacionais acumuladas ao longo de seu mandato no Senado Federal, guardadas em envelopes timbrados da própria instituição. A defesa dos demais citados e empresários envolvidos no caso Master reitera que as diligências foram desnecessárias e que cooperam com as autoridades.


Descubra mais sobre O expresso Br

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *