O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) decidiu adotar uma postura de neutralidade formal e independência regional para a disputa presidencial. O presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, sinalizou que o partido deverá liberar oficialmente seus diretórios estaduais para escolherem quais palanques apoiar, dividindo as forças locais principalmente entre a pré-candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o projeto do senador Flávio Bolsonaro, principal nome do Partido Liberal (PL) e da oposição na corrida ao Palácio do Planalto.
A estratégia do comando nacional visa preservar a unidade da legenda e focar na meta de eleger uma bancada robusta no Congresso, além de focar em suas candidaturas próprias aos governos estaduais e ao Senado. Na avaliação da cúpula emedebista, forçar uma aliança nacional neste momento ameaçaria a estabilidade interna do partido, que se encontra profundamente fragmentado geograficamente.
O racha interno e a pressão das bases
A decisão de “liberar geral” reflete um mapeamento interno que evidenciou o tamanho do racha na sigla. De um lado, a ala nordestina do MDB e lideranças historicamente ligadas ao governo federal — como o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o senador Renan Calheiros — defendem enfaticamente o alinhamento com Lula. Por outro lado, um manifesto assinado por lideranças de 17 dos 27 diretórios estaduais expôs publicamente a forte resistência contra o governo petista, especialmente em estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Lideranças desses diretórios rebeldes argumentam que as bases regionais possuem maior afinidade com o eleitorado de centro e de direita, pressionando ativamente pela aproximação com o bolsonarismo. Em estados agrícolas e de forte apelo conservador, como Mato Grosso e Goiás, parlamentares do MDB já vocalizam abertamente a preferência pela candidatura de Flávio Bolsonaro, sob a justificativa de que ele representa a alternativa mais competitiva e alinhada às demandas locais.
Lula e Flávio Bolsonaro travam guerra de palanques
Enquanto o MDB abre mão de uma cabeça de chapa unificada, Lula e Flávio Bolsonaro intensificam a engenharia política nos estados para converter a força local em tração nacional. O presidente Lula tem utilizado o peso de seu cargo e feito concessões estratégicas para assegurar palanques fortes nos maiores colégios eleitorais, abrindo mão, em muitos casos, de candidaturas do próprio PT para apoiar aliados competitivos.
Do lado oposto, Flávio Bolsonaro assumiu o protagonismo das articulações no PL com o objetivo claro de estruturar uma rede de apoio focada em seu projeto presidencial. O senador tenta se consolidar nos estados como uma liderança de direita com trânsito moderado, buscando o engajamento direto de governadores e prefeitos para rivalizar com a máquina federal.
Ao oficializar a autonomia das bases, o MDB repete uma fórmula tradicional de sua história, operando como uma federação de partidos regionais. A decisão joga para as convenções estaduais a responsabilidade de decidir o rumo do partido e transforma cada estado em um microcosmo da polarização nacional.
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