Ratinho Junior enfrenta esvaziamento político no Palácio Iguaçu com fim de convênios no Paraná

​A conjuntura política no Paraná aponta para um cenário de esvaziamento e perda de fôlego na reta final da gestão do governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD). De acordo com análises de bastidores políticos trazidas pelo jornalista Esmael Morais, o chefe do Executivo paranaense ingressa em um período de declínio político — o chamado “ocaso” —, impulsionado principalmente pela vertiginosa diminuição e secagem de convênios firmados com os municípios.

​O movimento, que tradicionalmente marca o encerramento de segundos mandatos onde não há a possibilidade de reeleição imediata, acendeu o sinal de alerta no Palácio Iguaçu. A escassez de novos repasses e parcerias estruturais arrefeceu o forte alinhamento que o governo mantinha com prefeituras do interior, enfraquecendo sua capacidade de aglutinação política e de liderança regional.

Mudança de rumo nas pretensões para o cenário nacional

​O atual enfraquecimento administrativo e político coincide com uma virada radical nos planos de Ratinho Junior. Apontado durante meses como um dos nomes da centro-direita para a disputa à Presidência da República ou como forte candidato ao Senado Federal nas eleições vigentes, o governador surpreendeu o mercado político ao anunciar que cumprirá o seu mandato integral até dezembro, descartando a desincompatibilização do cargo.

​Com a desistência de concorrer a cargos eletivos no pleito atual, Ratinho Junior confirmou que, após encerrar sua gestão no Executivo estadual, pretende retornar à iniciativa privada para assumir a presidência do grupo de comunicação de seu pai, o apresentador Carlos Massa. A decisão, comunicada oficialmente ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, sepultou momentaneamente suas ambições nacionais imediatas.

A reação do Governo: entregas pontuais e pacotes institucionais

​Para tentar contrapor a narrativa de paralisia provocada pela seca de convênios e pelo esvaziamento de poder, o Governo do Paraná tem intensificado agendas institucionais focadas em programas centralizados. Recentemente, a gestão estadual promoveu entregas do prêmio “Alfabetiza Juntos”, voltado a escolas municipais, e anunciou investimentos em infraestrutura escolar, uniformes e fomento à cultura. No entanto, analistas políticos locais ponderam que tais medidas, embora de impacto social positivo, possuem menor poder de barganha e engajamento político do que a antiga liberação massiva de emendas e grandes convênios de obras diretas com as prefeituras.

​O isolamento progressivo do Palácio Iguaçu coloca à prova a capacidade do grupo político do governador de fazer o seu sucessor no estado, ao mesmo tempo em que reconfigura as forças partidárias no Paraná para os próximos anos.


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