A tramitação do processo que pede a cassação do mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT) na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) ganhou novos contornos políticos. Uma articulação direta envolve parlamentares, vereadores e um advogado vinculados ao partido Novo, que integram a lista de denunciantes, opositores públicos e até a relatoria que avaliou o caso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Os deputados estaduais Luiz Fernando Guerra e Fábio Oliveira, os vereadores por Curitiba Guilherme Kilter e Bruno Secco, além do advogado Jeffrey Chiquini, compartilham a mesma filiação partidária na sigla Novo. O grupo tem promovido intensas manifestações nas redes sociais e utilizado seus cargos políticos para formalizar pedidos e impulsionar o andamento das investigações contra o parlamentar.
A atuação em bloco partidário levantou questionamentos por parte da oposição e da defesa de Freitas, baseando-se no Código de Ética da Alep. O deputado Arilson Chiorato (PT) apontou que, conforme o regimento interno da Casa, o deputado Luiz Fernando Guerra — que atuou como relator do caso na CCJ — estaria sob vedação de assumir a função pelo fato de a representação original ter sido protocolada e impulsionada por correligionários de seu próprio partido.
A movimentação ocorre após a CCJ da Alep confirmar, em votação no dia 2 de junho de 2026, o parecer do Conselho de Ética que recomenda a perda do mandato de Renato Freitas. O processo disciplinar teve origem em um desentendimento público ocorrido no Centro de Curitiba, envolvendo o deputado e um manobrista, em novembro de 2025. Enquanto as representações acusam Freitas de quebra de decoro parlamentar pelas agressões físicas registradas em vídeo, a defesa do petista alega que ele agiu em legítima defesa para repelir uma agressão iminente e proteger sua família.
Com o aval da CCJ, o caso foi encaminhado para a Mesa Diretora e a decisão final caberá ao plenário da Assembleia Legislativa. Para que o mandato seja efetivamente cassado, será necessário o voto favorável da maioria absoluta dos parlamentares, o que corresponde a pelo menos 28 dos 54 deputados estaduais do Paraná. Aliados de Renato Freitas afirmam que pretendem recorrer ao Poder Judiciário contestando a lisura do rito processual e alegando a existência de perseguição política sistemática dentro do Legislativo estadual.








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