A forte expansão do comércio eletrônico no Brasil continua transformando o mercado imobiliário corporativo. Impulsionada pela intensa disputa por agilidade nas entregas de gigantes como Mercado Livre e Amazon, a taxa de vacância de galpões logísticos de alto padrão em São Paulo desabou para apenas 5%, o menor nível da série histórica, segundo levantamento recente da consultoria Newmark. O reflexo imediato desse cenário de escassez é o salto nos preços dos aluguéis, que atingiram novos recordes na região.
A necessidade de otimização da cadeia de suprimentos — o chamado last mile, que foca na entrega rápida ao consumidor final — concentrou a ocupação principalmente na capital paulista e em importantes eixos logísticos vizinhos, como Guarulhos, Barueri, Cajamar e Embu das Artes. De acordo com especialistas, o mercado em São Paulo enfrenta uma demanda reprimida por ativos do tipo triple A (elevado padrão de infraestrutura), o que dá aos proprietários maior poder de barganha nas renovações contratuais e novos acordos.
Dados consolidados do setor apontam que o e-commerce e os operadores logísticos associados responderam pela ampla maioria da área absorvida nos últimos meses. O Mercado Livre isolou-se na liderança desse movimento, sendo responsável por fatias massivas das novas locações no estado, seguido de perto por concorrentes como Amazon e Shopee.
Apesar do forte ritmo de novas construções, a velocidade de locação tem surpreendido o mercado. Levantamentos de consultorias complementares, como a JLL e a RealtyCorp, indicam que boa parte do estoque de novos galpões previstos para entrega até o final do ano já entra no mercado na condição de “pré-locado”. Em São Paulo, esse índice de antecipação reforça que a oferta futura pode não ser suficiente para conter a pressão de alta nos preços.
Para Mariana Hanania, Head de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Newmark, o segmento consolidou-se como peça central na estratégia de expansão do varejo digital brasileiro. A tendência para o restante do ano é que o mercado imobiliário logístico paulista siga altamente pressionado, sustentando o viés de valorização dos fundos imobiliários (FIIs) expostos a esses ativos e desafiando as varejistas a buscarem máxima eficiência em espaços cada vez mais disputados e caros.
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