As negociações comerciais entre Brasília e Washington ganharam contornos de disputa geopolítica. Durante as tratativas bilaterais para tentar reverter as tarifas impostas pela gestão de Donald Trump aos produtos brasileiros, o governo dos Estados Unidos apresentou uma lista de exigências rígidas. O principal pleito americano foi para que o Brasil restringisse os investimentos e o acesso da China aos minerais críticos e terras raras em território nacional, setor no qual o mercado brasileiro detém a segunda maior reserva do planeta.
A contraproposta de Washington, contudo, foi considerada desproporcional pelas autoridades brasileiras. Enquanto os norte-americanos solicitaram tarifa zero para a entrada de seus automóveis, máquinas, equipamentos e etanol no mercado brasileiro, não ofereceram uma contrapartida equivalente, mantendo a postura de não retirar suas próprias taxas sobre os produtos do Brasil.
A reação brasileira e a soberania sobre os minerais
A postura do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Palácio do Planalto foi de rejeição às pressões que afetam a neutralidade comercial do país. Membros da comitiva brasileira reforçaram que os minerais estratégicos pertencem ao povo brasileiro e que o país não aceitará limitações que comprometam suas relações com o seu maior parceiro comercial, a China.
”Não aceitaremos, porque as terras raras e os minerais críticos pertencem ao povo brasileiro”, declarou a representação do governo, reafirmando que o Brasil manterá sua política multilateral ativa.
Apesar da ofensiva norte-americana para tentar isolar o mercado chinês e criar um bloco exclusivo de regulação de preços para commodities tecnológicas, o governo brasileiro sinalizou que só avançará em acordos que incluam o processamento local desses minérios, exigindo transferência de tecnologia em vez da mera exportação de matéria-prima bruta.
O impacto no comércio bilateral
O recuo parcial da representação comercial dos EUA (USTR), que acabou poupando itens como o ferro-gusa e alguns minerais essenciais para evitar o desabastecimento de suas próprias indústrias, expõe a dependência mútua das duas economias. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil agiu de boa-fé e com respeito durante as conversas e que agora aguardará a manifestação formal da Casa Branca para a retomada de um diálogo equilibrado.
Abaixo, veja os principais pontos de divergência apresentados na mesa de negociação:
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