O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária e preventiva da campanha de imunização contra a dengue utilizando o imunizante Butantan-DV, desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida de precaução foi adotada após o sistema de farmacovigilância registrar 42 casos de reações adversas graves, incluindo duas mortes que estão sob investigação laboratorial e clínica.
Até o final de maio, cerca de 500 mil doses da vacina — que é a primeira do mundo em dose única e totalmente produzida no Brasil — haviam sido aplicadas, tendo como público-alvo inicial os profissionais de saúde.
O perfil dos pacientes e a evolução dos casos
De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades sanitárias, os episódios mais graves que motivaram a paralisação envolvem três profissionais de saúde:
- Mulher, 48 anos (Óbito): Desenvolveu sintomas semelhantes aos de dengue grave 19 dias após receber o imunizante. O quadro clínico evoluiu com grave comprometimento neurológico (meningoencefalite), levando-a ao óbito.
- Homem, 58 anos (Óbito): Apresentou um quadro febril cinco dias após a vacinação. O caso evoluiu rapidamente para sintomas severos de dengue com choque refratário, culminando no falecimento do paciente.
- Mulher, 39 anos (Recuperada): Manifestou febre, dores musculares (mialgia) e náuseas seis dias após receber a dose. O quadro evoluiu para dengue grave com choque, exigindo internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A paciente recebeu alta e passa bem.
O que dizem as autoridades e os próximos passos
O Ministério da Saúde ressaltou que, até o momento, não há comprovação de nexo causal entre a aplicação da vacina e as mortes ou reações graves. A paralisação temporária serve justamente para que uma investigação aprofundada analise fatores de risco individuais, o histórico clínico dos pacientes, possíveis doenças preexistentes e a qualidade dos lotes.
As doses já distribuídas não serão descartadas, mas mantidas sob armazenamento adequado nas redes de frio de estados e municípios.
Orientação aos vacinados: A recomendação oficial para as pessoas que receberam o imunizante nos últimos 21 dias é manter a atenção a sinais de alarme — como febre alta, dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou sangramentos. Caso esses sintomas surjam, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde.








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