Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, que fingiu ter 12 para ser adotada em Santa Catarina passou por internações psiquiátricas no Ceará
Joinville, SC – Novas informações revelam que Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, presa na última semana por fingir ser uma adolescente de 12 anos para enganar uma família e ser adotada em Joinville (SC), possui um histórico de internações psiquiátricas em seu estado natal, o Ceará. A cearense, investigada por estelionato e falsa identidade, conseguiu manter a farsa por 14 meses e agora passará por uma perícia oficial de sanidade mental.
O histórico psiquiátrico no Ceará soma-se a um complexo rastro de golpes semelhantes identificados pela Polícia Civil em pelo menos outros seis estados, incluindo Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. Em suas abordagens, Amanda costumava simular trejeitos infantis, usar voz mansa e pedir colo. Em Joinville, ela convenceu uma família bem estruturada economicamente de que era uma criança em situação de extrema vulnerabilidade, chegando a usar mamadeira, chupeta e comemorar uma festa de aniversário de 12 anos organizada pelos supostos pais.
Teatro e manipulação do sistema
Para sustentar o personagem de “Gabriele”, Amanda realizava pesquisas na internet sobre como imitar o comportamento de adolescentes com transtorno do espectro autista. Segundo relatos das vítimas à polícia, a suspeita utilizava táticas drásticas de manipulação, que incluíam simular a ingestão e o posterior vômito de agulhas para atrair a atenção e os cuidados médicos da família acolhedora.
Diante do Conselho Tutelar e de abrigos por onde passou ao longo dos anos, Amanda costumava alegar que havia fugido do Pará após sofrer abuso e exploração sexual na infância, justificando seu porte físico desenvolvido com a falsa afirmação de ter sido forçada a ingerir hormônios em uma rede de prostituição. Em 2021, ela chegou a ocupar uma vaga em um abrigo de menores em Porto Alegre (RS), de onde só foi retirada após uma perícia constatar sua idade real, estimada em 30 anos na época. Em 2024, em Montes Claros (MG), foi detida por falsidade ideológica e confessou aos policiais que “tinha o costume de mentir”.
Prisão preventiva e avaliação médica
A suspeita teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça de Santa Catarina. O Ministério Público manifestou-se a favor da manutenção de sua detenção, considerando o potencial lesivo e a contumácia de suas condutas.
A defesa de Amanda Maria solicitou a realização de um exame oficial de sanidade mental, pedido que já foi deferido pelo Judiciário local. Os advogados buscam avaliar as condições psicológicas da investigada no momento das ações, argumentando elementos de possível incapacidade civil ou mental. O laudo pericial técnico será fundamental para definir os rumos do processo e determinar se ela responderá criminalmente como ré imputável ou se receberá uma medida de segurança voltada ao tratamento psiquiátrico.
Mulher de 37 anos que fingiu ter 12 para ser adotada passou por internações psiquiátricas no Ceará

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Jenifer Propets
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