O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou que o empresário e ex-dono do Banco Master, Daniel Bueno Vorcaro, seja transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, complexo prisional conhecido como Papudinha. O magistrado estipulou um prazo máximo de 24 horas para que o banqueiro deixe a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde estava custodiado.
A decisão de Mendonça ocorre imediatamente após o naufrágio da segunda proposta de delação premiada apresentada pela defesa de Vorcaro. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram o acordo sob o argumento de que os termos não traziam fatos novos relevantes e demonstravam lacunas propositais para blindar aliados políticos e econômicos. Diante do fim das negociações, o entendimento do Tribunal foi de enviar o investigado para o sistema prisional comum.
Prisão domiciliar negada e isolamento dos investigados
No mesmo despacho, o ministro André Mendonça seguiu o parecer da PGR e negou o pedido da defesa para converter a prisão preventiva em domiciliar.
Além disso, a direção da unidade prisional recebeu ordens expressas para garantir a estrita incomunicabilidade entre os alvos da Operação Compliance Zero. O objetivo principal é impedir o contato de Vorcaro com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), que também está detido na Papudinha.
O esquema da Operação Compliance Zero
A investigação conduzida pela Polícia Federal apura fraudes financeiras bilionárias e crimes contra o sistema bancário nacional. O estopim da operação ocorreu após a tentativa fracassada de compra de uma fatia do Banco Master pelo BRB, transação que acabou vetada pelo Banco Central e culminou na decretação de liquidação extrajudicial da instituição de Vorcaro.
Segundo a PF, o esquema consistia na venda de carteiras de crédito fraudulentas e títulos fictícios que geraram prejuízos estimados em bilhões de reais. Sem a perspectiva de um acordo de colaboração premiada válido, Daniel Vorcaro permanecerá detido preventivamente no Distrito Federal enquanto o processo penal avança no STF.
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