Uma situação inusitada no Jardim Magnólia, em Sorocaba, ganhou repercussão nacional após um morador relatar que uma equipe de manutenção da prefeitura teria mantido uma vala aberta apenas para aguardar a chegada do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos). Segundo o relato, o objetivo seria permitir que o político gravasse conteúdo para suas redes sociais antes da conclusão do serviço.
O caso: Entre a zeladoria e o engajamento
O incidente ocorreu na última semana, quando uma equipe de reparos em uma via pública interrompeu os trabalhos com o buraco ainda aberto. De acordo com o depoimento do morador, que registrou a cena, os funcionários teriam confirmado que o serviço não seria finalizado até que a equipe de comunicação do prefeito realizasse as filmagens padrão para o perfil do gestor, conhecido pela forte presença digital — especialmente no TikTok e Instagram.
- A denúncia: O morador alega que a via ficou interditada por tempo desnecessário, gerando transtornos ao trânsito e insegurança para pedestres.
- O estilo “Manga”: Rodrigo Manga é amplamente conhecido por sua estratégia de comunicação direta, onde aparece em obras, aborda dependentes químicos ou anuncia intervenções urbanas de forma performática.
Repercussão e posicionamento oficial
A gestão municipal de Sorocaba tem sido frequentemente pautada pela agilidade nas redes, mas este episódio levanta questionamentos sobre a prioridade entre a eficiência do serviço público e o marketing político.
| Envolvido | Status/Posicionamento |
|---|---|
| Prefeito Rodrigo Manga | Foca na divulgação de obras concluídas e “presença de palco” nas ruas. |
| Prefeitura de Sorocaba | Geralmente atribui as esperas a processos técnicos de secagem ou logística de materiais. |
| Moradores locais | Questionam o uso de recursos públicos para fins de autopromoção digital. |
“A cidade não pode parar para um vídeo ser editado. O buraco precisa ser tapado quando a equipe chega, não quando a câmera liga”, afirmou o munícipe autor da denúncia original.
O fenômeno dos “prefeitos tiktokers”
O caso de Sorocaba não é isolado e reflete uma tendência crescente na política brasileira: a espetacularização da zeladoria.
Embora a transparência e a prestação de contas sejam fundamentais, o limite entre informar a população e criar cenários para engajamento se torna tênue quando o cronograma das obras passa a ser ditado pela agenda de postagens. No caso específico do “buraco fake”, o debate gira em torno do custo de oportunidade e do respeito ao tempo do contribuinte.
A prefeitura de Sorocaba ainda não emitiu uma nota oficial detalhando o cronograma técnico específico dessa obra para rebater as acusações de que a espera teria fins meramente cinematográficos.




