A direita paranaense realiza nesta quinta-feira (18), no Oeste do estado, novos atos de pré-campanha que servem como um termômetro para a delicada engenharia eleitoral de 2026. O senador Sergio Moro (PL), o ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) e o deputado federal Filipe Barros (PL) cumprem agenda política nas cidades de Corbélia e Cascavel. O evento refaz o palanque testado anteriormente em Curitiba, mas traz uma mudança significativa nos bastidores: a ausência estratégica do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A exclusão do parlamentar fluminense da comitiva ocorre em um momento de forte turbulência interna na direita nacional. Aliados do clã Bolsonaro têm pressionado publicamente por um rompimento do PL com o partido Novo. O estopim da crise foram as críticas do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), direcionadas a Flávio Bolsonaro por conta de suas relações com o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master — caso que ganhou repercussão nacional devido a áudios sobre o financiamento de um documentário sobre Jair Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) manifestou-se a favor de cortar laços com a legenda de Zema, o que atinge diretamente a costura feita no Paraná.
A contradição do cenário paranaense reside no fato de que o arranjo regional depende umbilicalmente da coexistência das duas siglas. Sergio Moro precisa do PL robustecido para viabilizar sua candidatura ao governo estadual; Deltan Dallagnol necessita do Novo estruturado para tentar uma vaga no Senado Federal, após ter sido cassado em 2023; e Filipe Barros atua como o representante orgânico do bolsonarismo na chapa.
Embora o ato no Oeste tente blindar a fotografia da aliança local ao afastar personagens envolvidos em polêmicas recentes, o grupo enfrenta desgastes em múltiplas frentes. No âmbito regional, Filipe Barros tornou-se alvo de uma notícia de fato apresentada pelo presidente do PT no Paraná, Arilson Chiorato, que pede à Polícia Federal e à PGR a apuração de suas atuações legislativas relacionadas a temas de interesse do Banco Master. O deputado nega qualquer irregularidade, mas sobe ao palco sob o questionamento institucional da oposição.
Há, ainda, pressões externas e jurídicas que rondam o grupo de apoiadores. Recentemente, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto por coação no curso do processo, devido a movimentações em território americano contra ministros do Judiciário brasileiro. Paralelamente, um relatório do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs sobretaxas a produtos brasileiros, citando preocupações com o comércio digital, o Pix e o combate à corrupção, o que gerou debates na região do Oeste paranaense, polo fortemente dependente da agroindústria e das exportações.
O encontro político em Cascavel e Corbélia põe à prova a capacidade de resiliência desse bloco que une lavajatistas, liberais e bolsonaristas. Enquanto o Novo nacional busca demarcar distância de escândalos mirando a eleição presidencial, a ala do partido no Paraná tenta se manter colada ao eleitorado conservador do PL. Resta saber se o discurso de união focado na moralidade e no antipetismo conseguirá prevalecer diante dos ruídos e das cobranças das bases radicais pela prometida ruptura partidária.
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