Movimento Pink Pill: irmãs Hyla Natiely e Cah Fernandes viralizam ao rebatendo discursos misóginos na internet

As irmãs Hyla Natiely Fernandes Santos Araújo e Cah Fernandes alcançaram rápida repercussão nas redes sociais ao transformar o combate à misoginia e aos discursos de ódio em um fenômeno digital. Com a criação do projeto “Pink Pill” — lançado há cerca de três meses —, a dupla passou a acumular vídeos que ultrapassam a marca de 1,5 milhão de visualizações, estabelecendo um canal direto de debate sobre violência contra a mulher, relacionamentos abusivos e empoderamento.

A iniciativa surgiu como uma resposta direta e humorada ao crescimento da chamada “machosfera”, ecossistema online que engloba grupos masculinistas, como os “Red Pill”, “Incel” e “Midtowns”, conhecidos por reproduzir discursos de oposição às mulheres e ao feminismo. O termo “Pink Pill” (pílula rosa) foi adotado justamente para ressignificar o conceito original e quebrar a passividade esperada do público feminino diante de provocações machistas.

“A ideia do ‘Seja Pink Pill’ é justamente que eles não nos encontrem passivas. Que a gente possa lembrar a eles que nós estamos vivas e lutando”, pontua Cah Fernandes.

O projeto começou de forma despretensiosa, quando Hyla chamou a irmã para gravar um quadro de conteúdo. O que era para ser apenas uma sequência pontual de vídeos rapidamente tomou proporções maiores com a adesão massiva de um público majoritariamente feminino. Diante de comentários recorrentes de ataques que mandavam as criadoras “lavarem a louça”, as irmãs passaram a usar a ironia e analogias criativas para desarmar os discursos de ódio e pautar a conscientização.

Especialistas em dinâmicas digitais e gênero apontam que o surgimento do “Pink Pill” preenche uma lacuna importante nas redes. Enquanto movimentos masculinistas simplificam questões de gênero e culpam as mulheres por frustrações individuais, iniciativas como a de Hyla e Cah oferecem um espaço de autossuficiência, acolhimento e fortalecimento para o público feminino, incentivando o reconhecimento de suas próprias forças e direitos.


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