O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) adotou no domingo (07) uma medida que pretende diminuir o desequilíbrio entre oferta e demanda de energia, para evitar o risco de instabilidade por sobrecarga na rede. Pela primeira vez na história, o órgão colocou em prática o seu Plano Emergencial de Gestão de Excedentes, uma ferramenta criada para lidar com o crescimento acelerado da geração limpa, mas que expõe um novo desafio para a infraestrutura nacional: o excesso de eletricidade em momentos de baixo consumo.
A ação foi motivada por uma combinação de fatores típica dos finais de semana: a forte radiação solar e os ventos favoráveis elevaram ao máximo a produção das usinas eólicas e solares (além da minigeração distribuída em telhados), enquanto o consumo do comércio e da indústria despencou. Sem demanda para absorver tanta energia, o sistema correu o risco de sofrer com oscilações perigosas na frequência e na tensão da rede interligada, o que poderia culminar em um colapso na distribuição.
O impacto dos cortes na rede elétrica
Para manter a estabilidade, o ONS precisou intervir diretamente na produção. Embora o corte em grandes complexos do Nordeste já seja uma prática operacional conhecida, a grande novidade deste domingo foi o acionamento das distribuidoras regionais para restringir a geração de usinas de menor porte, classificadas como Tipo III — que incluem pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas de biomassa e parques renováveis menores.
De acordo com dados do mercado, o gerenciamento emergencial controlou cerca de 1.000 MW (megawatts) de excedente nas redes de distribuição, volume suficiente para abastecer aproximadamente 500 mil residências. Nas grandes usinas de transmissão, os cortes foram ainda mais severos, chegando a um pico de 11 GW de restrição no domingo e impressionantes 15 GW no sábado (06).
Setor defende armazenamento em baterias como solução definitiva
Embora o ONS e a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) tenham considerado a operação um sucesso técnico para a segurança nacional, o episódio acendeu um alerta definitivo no setor de infraestrutura. Entidades de classe e analistas apontam que a medida é um paliativo e que o Brasil precisa avançar urgentemente em novas políticas regulatórias.
A principal defesa do mercado agora se concentra no incentivo ao armazenamento de energia em larga escala através de baterias e na criação de tarifas dinâmicas. A ideia é que o excedente produzido nos horários de pico de sol possa ser guardado e injetado na rede no início da noite, quando o consumo da população dispara e a geração solar cessa. Conforme as regras vigentes, o ONS enviará um relatório técnico detalhado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em até 30 dias com o balanço completo dos cortes realizados.









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