O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), deflagrou a Operação Infiltrados com o objetivo de desmantelar um esquema de vazamento de informações e crimes praticados por agentes públicos associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação resultou na prisão temporária de três homens suspeitos de atuarem em benefício da facção criminosa de dentro das estruturas da Polícia Civil e do próprio Ministério Público.
Entre os detidos estão Maurício Aparecido de Oliveira, chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (DISE) de Campinas, um ex-policial civil e Gabriel Lira de Jesus, ex-estagiário do Ministério Público. Além dos mandados de prisão, as autoridades cumpriram dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior do estado. A operação contou com o apoio essencial das corregedorias das polícias Civil e Penal, além do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) da Polícia Militar.
Conforme apontam as investigações, os suspeitos estariam envolvidos em um plano para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, atuante no Gaeco de Campinas há mais de dez anos no combate ao tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro da facção. O plano contra o promotor havia sido interceptado inicialmente pelo Ministério Público e envolveu o monitoramento de sua rotina, incluindo a descoberta da academia que frequentava, além da preparação de uma caminhonete blindada adaptada para receber uma metralhadora calibre .50 (armamento de guerra) e a contratação de um pistoleiro vindo do Rio de Janeiro.
Imagens obtidas pelo Gaeco revelaram que, uma semana antes de uma grande ação contra os envolvidos no plano de atentado, o coordenador da execução do crime se reuniu clandestinamente com o chefe dos investigadores em Campinas. A suspeita é de que o policial repassava informações privilegiadas e sigilosas para blindar os criminosos.
Paralelamente ao plano de assassinato, o ex-estagiário do Ministério Público é acusado de utilizar os bancos de dados e sistemas internos de pesquisa da instituição para identificar integrantes da facção que possuíam alto poder aquisitivo. Com o auxílio de um policial penal e do ex-policial civil, ele realizava extorsões contra esses criminosos, exigindo grandes quantias de dinheiro em troca de suposta proteção ou facilitação em investigações em andamento. Descobriu-se ainda o envolvimento de Sérgio Luiz de Freitas, conhecido como “Mijão” ou “Xixi”, um dos principais líderes do PCC atualmente foragido, em esquemas correlatos de lavagem de dinheiro.
Em nota oficial, o Ministério Público ressaltou que todas as circunstâncias estão sob severa apuração e que o trabalho conjunto das polícias demonstra o compromisso das instituições na depuração de seus próprios quadros, assegurando a integridade e a eficiência do serviço público prestado à sociedade.









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