A Avenida Paulista foi palco de discursos contundentes em defesa dos direitos civis e da representação política da comunidade LGBTQIA+. A tradicional manifestação de São Paulo trouxe como slogan oficial a frase “A rua convoca, a urna confirma”, estabelecendo uma forte conexão entre a ocupação do espaço público e a mobilização eleitoral. No entanto, além do tom festivo promovido por grandes atrações musicais como Pabllo Vittar, Gloria Groove e Melody, os organizadores utilizaram os microfones para protestar contra a severa perda de apoio financeiro que o evento vem sofrendo.
A Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP) apontou que o volume de patrocínios da iniciativa privada registrou uma queda drástica de cerca de 60% em comparação com os anos anteriores. Apesar de grandes marcas globais como Amstel e L’Oréal terem mantido investimentos e desfilado com trios elétricos próprios, o esvaziamento da lista corporativa acendeu um alerta para o movimento. Somando-se ao recuo do setor privado, os recursos públicos também encolheram: a gestão do prefeito Ricardo Nunes destinou R$ 5,5 milhões para a infraestrutura, contratação de artistas e fomento à Feira LGBT+, o que representa um corte de R$ 500 mil em relação ao orçamento repassado na edição anterior.
Mesmo enfrentando limitações orçamentárias, a mobilização arrastou multidões e focou em pautas prioritárias, com destaque para o voto consciente. Conforme reforçou Matheus Emílio, diretor e porta-voz da organização, o principal objetivo do evento é incentivar a população a eleger candidatos comprometidos com leis inclusivas, em vez de depender exclusivamente de decisões tomadas pelo Poder Judiciário. O posicionamento foi endossado por ativistas e figuras históricas do movimento, que criticaram o avanço do conservadorismo e projetos de lei em tramitação que buscam restringir os direitos e o alcance da própria Parada.









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