O mercado global de energia foi chacoalhado pela retomada direta das hostilidades no Oriente Médio, elevando os temores de uma crise prolongada de abastecimento. Após uma abertura inicial em alta de 3% no domingo (7), quando o barril do tipo Brent era negociado a US$ 96,33, os preços da commodity estenderam os ganhos nesta segunda-feira (8), avançando cerca de 4,9% e atingindo picos de US$ 97,83, aproximando-se da marca psicológica dos US$ 100.
O forte movimento de alta reflete o colapso do cessar-fogo na região. A escalada teve início no fim de semana com bombardeios de Israel contra alvos do Hezbollah no sul de Beirute, no Líbano. A ofensiva militar escalou rapidamente quando forças israelenses realizaram ataques diretos contra o território iraniano, atingindo, inclusive, um complexo petroquímico e alvos militares no oeste e centro do país administrado pela teocracia islâmica.
Em retaliação, o governo do Irã lançou salvas de mísseis contra as bases aéreas israelenses de Nevatim e Tel Nof. Paralelamente, rebeldes houthis do Iêmen, que contam com o apoio político e militar de Teerã, anunciaram um novo bloqueio a navios associados a Israel no Mar Vermelho, complicando ainda mais as rotas comerciais.
O recrudescimento do conflito ocorre em meio a intensos esforços diplomáticos liderados pelo governo americano para costurar uma trégua de longo prazo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou insatisfação com as manobras militares de Tel Aviv e criticou a resposta de Teerã, declarando que a ofensiva iraniana “certamente não ajuda as negociações”. Contudo, em tom firme, o mandatário norte-americano insistiu que a diplomacia continua ativa. “Eu dou as ordens. Eu dou todas as ordens”, afirmou Trump em entrevista, minimizando a independência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na condução de um acordo definitivo.
Em contrapartida, as autoridades de Teerã endureceram o discurso. Interlocutores do governo iraniano envolvidos nos diálogos indiretos com Washington apontaram que, diante das atuais agressões sofridas no próprio território, um acordo com a gestão americana perdeu viabilidade neste estágio. O Irã exige, entre outras medidas, a suspensão imediata de sanções internacionais e a liberação de bilhões de dólares em ativos congelados no exterior para reabrir totalmente o tráfego comercial de energia na estratégica rota global do Estreito de Ormuz.









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