A Polícia Federal (PF) identificou indícios de uma relação de proximidade “funcionalmente direcionada” entre o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. De acordo com as investigações, o empresário teria chegado a disponibilizar uma aeronave privada para que o parlamentar viajasse até a Ilha da Paixão, uma ilha particular localizada na Bahia.
As informações foram reveladas no âmbito da Operação Compliance Zero, que cumpriu mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A PF apura se o senador recebeu vantagens indevidas, incluindo um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,5 milhões em Salvador, além de ingressos corporativos de alto valor para shows e repasses financeiros que superam R$ 3,5 milhões destinados a empresas ligadas ao seu núcleo familiar.
Mensagens obtidas pelos investigadores no celular de Augusto Lima apontam que, em abril de 2024, após uma chamada de voz, o empresário compartilhou com Jaques Wagner o contato de um piloto. Na sequência, Lima repassou o contato do senador para o tripulante, com o objetivo de coordenar o deslocamento aéreo. Outros diálogos revelam pedidos de ingressos para camarotes feitos pelo parlamentar, prontamente atendidos pelo banqueiro.
A suspeita central da Polícia Federal é de que os mimos e as facilidades logísticas oferecidos pelo ex-sócio do Banco Master fizessem parte de uma contrapartida para que Jaques Wagner atuasse no Congresso Nacional em defesa de pautas e temas econômicos de forte interesse do setor financeiro e da própria instituição.
A defesa do senador Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e contesta as suspeitas levantadas pela operação policial. Aliados políticos do parlamentar monitoram os desdobramentos do caso em Brasília, avaliando o impacto da investigação sobre a liderança do governo no Senado.
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