Brasília – A Polícia Federal (PF) deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, colocando o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, no centro de uma investigação sobre vantagens indevidas. De acordo com os investigadores, executivos ligados ao antigo Banco Master — entre eles o empresário Augusto Ferreira Lima e Daniel Vorcaro — teriam financiado uma série de “mimos” e repasses financeiros ao parlamentar em troca de suposta atuação política em pautas de interesse da instituição financeira.
Entre os principais elementos colhidos pela PF que apontam a proximidade e o recebimento de vantagens estão a compra de um apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões, que teria sido viabilizado por meio de estruturas financeiras interpostas ligadas ao grupo investigado.
Além do imóvel, o pacote de regalias listado pela PF inclui o uso gratuito de jatinhos particulares para deslocamentos do senador, repasses de R$ 3,5 milhões destinados a uma empresa vinculada ao núcleo familiar de Wagner (por meio da empresa de sua nora) e até ingressos de alto valor para um camarote em um show internacional na Califórnia, estimado em R$ 63 mil.
Durante os mandados de busca e apreensão cumpridos nas residências do parlamentar, os agentes federais apreenderam US$ 49 mil em espécie (cerca de R$ 253 mil) na casa de Brasília, além de quantias adicionais em euro e dólar em outros endereços ligados a ele. A suspeita da PF é de que o senador tenha utilizado sua forte influência política para atuar junto a órgãos reguladores e pautas do Congresso — como temas relacionados ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e operações com o Banco de Brasília (BRB) — que beneficiariam diretamente os negócios do Master.
O caso provocou forte reação nos bastidores do Palácio do Planalto, dado o peso político de Jaques Wagner na articulação do governo. Em conversas reservadas, o senador informou ter recebido a solidariedade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que manifestou confiança em seu aliado.
Em manifestações anteriores sobre o Caso Master, Jaques Wagner já havia rechaçado qualquer envolvimento em práticas ilícitas ou “trambiques”. O senador confirmou possuir uma relação antiga com o empresário Augusto Lima, mas ressaltou que as tratativas iniciais ocorreram anos atrás no âmbito da privatização da rede de supermercados Cesta do Povo, na Bahia, antes de Lima se associar ao Banco Master. Wagner declarou estar “tranquilo e calmo” com o episódio e afirmou que não teme os desdobramentos das apurações. A defesa do parlamentar e os representantes do grupo financeiro investigado deverão apresentar formalmente suas manifestações à Justiça.
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