Polícia Federal encontra mensagens de Hugo Motta pedindo empréstimo de R$ 22 milhões a Daniel Vorcaro para empresa de cunhada

​A Polícia Federal (PF) obteve mensagens que mostram o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), intermediando a liberação de um empréstimo junto ao empresário Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. O crédito, no valor mínimo de R$ 22 milhões, foi destinado a uma empresa de propriedade de Bianca Medeiros, cunhada do parlamentar. Os diálogos foram revelados pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmados por outros veículos de imprensa após o Supremo Tribunal Federal (STF) retirar o sigilo de relatórios da corporação.

​Segundo as investigações da PF, as conversas entre Motta e Vorcaro ocorreram em março de 2024, período anterior à eleição do deputado para a presidência da Câmara. Os recursos financeiros obtidos por meio da transação teriam sido utilizados para a compra de um terreno de uma antiga fábrica de cimento localizada em João Pessoa (PB), área destinada ao desenvolvimento de um novo bairro na capital paraibana.

​O relatório da Polícia Federal faz parte das apurações decorrentes da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras e operações irregulares envolvendo o Banco Master. Atualmente, o empresário Daniel Vorcaro cumpre prisão preventiva em Brasília no âmbito desta mesma operação. Além do caso do empréstimo, os relatórios da PF apontam que Vorcaro custeou despesas de viagem e diárias de hotel de luxo em Lisboa para Hugo Motta e para o senador Ciro Nogueira (PP-PI) em 2024.

​O posicionamento dos envolvidos

  • Hugo Motta: O presidente da Câmara confirmou ter realizado a viagem a Lisboa em jato privado a convite de Ciro Nogueira, alegando que na ocasião não havia conhecimento de irregularidades ligadas a Vorcaro. Sobre as mensagens e o financiamento, a assessoria do parlamentar informou que a operação foi legal, realizada integralmente entre entes privados e que a empresa beneficiada está cumprindo regularmente o pagamento das prestações devidas. Motta declarou ainda que defende uma investigação “isenta e imparcial”.
  • Bianca Medeiros: Em manifestações anteriores sobre o caso, a defesa da empresária afirmou que o contrato seguiu critérios usuais de mercado e que o Banco Master foi escolhido unicamente pelas condições comerciais apresentadas. Declarou também que a empresa é regularmente constituída e não possui vínculo societário, comercial ou de gestão com o deputado Hugo Motta.
  • Defesas e desdobramentos: O senador Ciro Nogueira não havia se manifestado oficialmente sobre o teor do relatório policial até a última atualização dos fatos. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) já havia solicitado que a corte acompanhasse os desdobramentos da operação para salvaguardar a transparência de possíveis desvios, embora o contrato tenha sido firmado sob a natureza jurídica de crédito privado.

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