A Polícia Federal (PF) deflagrou uma nova fase de investigações voltadas a aplicações financeiras suspeitas de fundos de previdência municipais e estaduais na rede bancária privada. A ação mais recente, batizada de Operação Take Over, mira um aporte de R$ 3 milhões realizado pelo PreviPaulista — o instituto de previdência social dos servidores públicos do município de Paulista, em Pernambuco — em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
As ordens judiciais foram cumpridas em endereços localizados em Recife, na cidade de Paulista (Região Metropolitana do Recife) e também na cidade do Rio de Janeiro. Segundo informações da corporação, a força-tarefa cumpriu dez mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal com o objetivo de colher novas provas documentais, mídias digitais e celulares dos investigados.
Suspeita de gestão fraudulenta e propina
De acordo com os relatórios da Polícia Federal, o repasse de R$ 3 milhões foi direcionado a ativos considerados de alto risco, contrariando abertamente as diretrizes legais e as normas rígidas de governança exigidas para o manejo de recursos voltados à aposentadoria de servidores públicos.
A linha de investigação da PF busca mapear as primeiras camadas de movimentação do montante para esclarecer se houve a prática de gestão temerária ou fraudulenta. Há, ainda, fortes indícios do pagamento de vantagens indevidas (propina) a gestores do fundo municipal para que o dinheiro público fosse facilitado e injetado na instituição financeira. Se as suspeitas se confirmarem, os envolvidos poderão responder por crimes contra o sistema financeiro nacional e contra a administração pública.
Desdobramento de um cenário nacional
Este episódio em Pernambuco não é isolado e soma-se a um histórico recente de escândalos sob a lupa das autoridades federais. Nas últimas semanas, a PF também realizou buscas intensas no Rio de Janeiro devido a aportes bilionários e irregulares promovidos pelo Rioprevidência no mesmo Banco Master, uma apuração que colocou figuras políticas de grande escalão e ex-diretores de autarquias sob o radar das investigações criminais. No caso de Paulista, os agentes buscam checar se o mesmo modus operandi de cooptação de gestores locais foi replicado no fundo municipal pernambucano.
O posicionamento dos citados
Em nota oficial divulgada após o início das diligências, a Prefeitura de Paulista e a direção do PreviPaulista informaram que estão colaborando integralmente com o trabalho da Polícia Federal, disponibilizando todos os documentos requeridos pelas equipes de agentes federais. A administração municipal destacou que pauta as suas ações pela transparência e que acompanhará de perto os desdobramentos para garantir a proteção e a integridade do patrimônio dos servidores públicos da localidade.
Os representantes legais do Banco Master vêm mantendo a postura de cooperar com as autoridades competentes para o esclarecimento de quaisquer dúvidas sobre os títulos emitidos no mercado financeiro.









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