Ratinho Júnior e Gleisi Hoffmann polarizam debate sobre tarifaço dos EUA no Paraná

​A nova sobretaxa comercial imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros tornou-se o centro de uma intensa disputa política no Paraná. Com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) alertando que a medida atinge diretamente 75% das exportações industriais paranaenses para o mercado norte-americano — afetando setores estratégicos como madeira serrada, compensados e molduras —, lideranças de esquerda e direita transformaram o revés econômico em combustível para o debate ideológico local.

​De um lado, o governo estadual e aliados alinhados à direita buscam blindar o setor produtivo regional enquanto direcionam críticas à política externa e econômica do governo federal. O governador Carlos Massa Ratinho Júnior lidera uma força-tarefa junto à Secretaria da Fazenda e ao BRDE para implementar um pacote de socorro às empresas atingidas, incluindo a liberação de crédito, flexibilização de prazos e uso de créditos acumulados de ICMS como garantia financeira. Parlamentares e influenciadores de oposição nacional argumentam que a imposição das taxas reflete a fragilidade diplomática e a falta de interlocução do Palácio do Planalto perante Washington.

​No espectro oposto, a esquerda paranaense reage em defesa das ações federais. A deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, veio a público enfatizar que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece em intensas negociações diplomáticas para tentar reverter as medidas ou incluir o estado em listas de exclusão tarifária. Lideranças progressistas classificam a decisão dos Estados Unidos como “desproporcional” e “unilateral”, acusando o governo americano de protecionismo injustificado e rebatendo que a oposição tenta tirar proveito político de uma crise global que afeta o empresariado nacional de forma indistinta.

​Enquanto a Fiep e o setor produtivo correm contra o relógio para mitigar os prejuízos e buscar canais de diálogo antes que os impactos financeiros se consolidem nas planilhas das indústrias locais, o cenário paranaense consolida-se como um dos principais palcos dessa nova guerra de narrativas econômicas e eleitorais.


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