Em relatório tornado público após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo do inquérito, a Polícia Federal (PF) revelou trocas de mensagens em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro cobra com urgência o cumprimento dos repasses financeiros ao escritório de advocacia da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Nas conversas obtidas pela investigação, Vorcaro classificou o acordo contratual como o “mais importante” da instituição financeira e demonstrou forte preocupação com eventuais atrasos.
A cobrança e a prioridade do contrato
De acordo com os registros analisados pelos investigadores, as cobranças ocorreram após a constatação de um atraso no envio de parcelas. Em mensagem enviada ao sócio Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, encarregado dos pagamentos, Vorcaro demonstrou irritação:
“Angelo. Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Não to entendendo isso. Contrato mais importante que temos. Te pedi pra não falhar. Surreal. Vamos ter problemas”.
Na sequência, o ex-dono do Banco Master reforçou as orientações a outros funcionários da equipe, pedindo monitoramento contínuo para evitar novos atrasos e instruindo que as parcelas fossem pagas com prioridade máxima. O contrato totalizava cerca de R$ 129 milhões, divididos em parcelas mensais de R$ 3,6 milhões brutos.
Restrição do acesso e sigilo
As mensagens também indicam que Vorcaro buscou restringir o acesso às informações sobre a contratação dentro de sua própria estrutura de negócios. Em diálogos ocorridos em abril de 2025, o banqueiro orientou que o documento fosse mantido sob custódia estrita e sem acesso para terceiros: “Ninguém ter acesso. Você pegar e não deixar ninguém ter acesso a isso”.
A Polícia Federal também identificou diálogos de mediação prévia para aproximar o banqueiro e o ministro do STF, além de trocas de mensagens diretas envolvendo o acompanhamento das prestações de serviços e logística de transporte para o escritório.
O posicionamento das partes
Diante da divulgação do relatório policial e da decisão de retirada do sigilo:
- Escritório Barci de Moraes: Informou em nota que prestou efetivamente os serviços advocatícios previstos em contrato e que realizou consultas prévias de compliance antes da assinatura. A defesa ressaltou a inexistência de impedimentos legais ou atuação perante o STF, destacando que o ministro Alexandre de Moraes jamais apreciou ou julgou causas ligadas ao Banco Master.
- Supremo Tribunal Federal: O ministro André Mendonça indicou que o material anexado ao inquérito e os novos elementos trazidos pela Polícia Federal deverão ser submetidos à análise do Plenário da Corte.
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