Requião Filho e Sandro Alex travam disputa de narrativas após nova pesquisa IRG ao governo do Paraná

A divulgação da mais recente pesquisa do Instituto IRG sobre a corrida sucessória ao Palácio Iguaçu acirrou os ânimos e abriu uma verdadeira guerra de narrativas entre a oposição e o grupo político do governador Ratinho Jr. O levantamento, realizado com mil eleitores entre os dias 10 e 13 de junho de 2026, consolidou o senador Sergio Moro (PL) na liderança isolada, mas acendeu o debate sobre quem ocupa a segunda colocação na disputa pelo governo do estado.

​No cenário estimulado clássico de primeiro turno, o deputado estadual Requião Filho (PDT) aparece consolidado na segunda posição isolada com 18,6% das intenções de voto, seguido pelo deputado federal Sandro Alex (PSD), que registra 14,4%, e pelo ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (MDB), com 11,7%. No entanto, o embate ganhou força após a criação de simulações com apoios políticos nacionais e projeções de segundo turno, que foram duramente criticadas pelo pré-candidato pedetista.

Oposição acusa maquiagem de dados para beneficiar o Palácio Iguaçu

​Em forte tom de denúncia, Requião Filho acusou o levantamento de ser um “exercício curioso de criatividade eleitoral” desenhado sob medida para agradar aos interesses do governo do estado. Segundo o deputado, o Palácio Iguaçu enfrenta sérias dificuldades para transformar o nome de Sandro Alex — o escolhido do partido governista (PSD) — em uma candidatura altamente competitiva, recorrendo a “combinações e apoios fabricados” na tentativa de empurrá-lo artificialmente para os dois dígitos.

​”A solução encontrada foi remodelar os cenários, acrescentar apoios de políticos nacionais e criar combinações para empurrar o candidato escolhido pelo Palácio Iguaçu para posições mais confortáveis”, criticou Requião Filho. O parlamentar argumenta que, mesmo diante dos cruzamentos favoráveis à máquina pública estadual, sua candidatura permanece firmemente estabelecida com eleitorado próprio, configurando-se como a principal alternativa ao modelo político que administra o Paraná há mais de uma década. Para ele, as variações e recortes da amostragem evidenciam apenas a “ansiedade” da cúpula do PSD diante do desafio de transferir votos da máquina estatal.

Governo celebra avanço de Sandro Alex atrelado a Ratinho Jr.

​Por outro lado, os jornais e portais alinhados ao grupo governista estamparam manchetes celebrando o desempenho de Sandro Alex, destacando que o parlamentar cresce expressivamente e aparece em segundo lugar quando seu nome é formalmente vinculado ao do governador Ratinho Jr.

​A pesquisa testou as forças dos apoios nos cenários de segundo turno, indicando que a associação de padrinhos políticos redefine as intenções de voto. Em uma eventual simulação entre Sergio Moro (apoiado por Flávio Bolsonaro) e Sandro Alex (com o apoio de Ratinho Jr.), o ex-juiz da Lava Jato lidera com 42,5% contra 38,5% do candidato do PSD, configurando uma situação de equilíbrio técnico bastante comemorada pelo Palácio Iguaçu. No cruzamento entre Moro e Requião Filho (atrelado ao presidente Lula), o placar aponta 54,5% para o senador do PL contra 29% do pré-candidato do PDT.

Cenário aberto e alto índice de indefinição

​A despeito das comemorações e das críticas de ambos os lados, analistas políticos reforçam que a disputa ao Governo do Paraná ainda engatinha. O maior indicativo disso está nos dados da pesquisa espontânea — momento em que nenhum nome é sugerido ao eleitor —, na qual expressivos 58,8% dos entrevistados afirmaram que não sabem em quem votar ou preferiram não responder. Nesse quesito, Moro tem 14,4%, Requião Filho pontua com 7,8% e Ratinho Jr. (que não pode concorrer à reeleição) ainda é citado por 7,3% dos paranaenses, seguido por Sandro Alex com 4,2%.

​A pesquisa IRG possui margem de erro de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e encontra-se devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PR-07149/2026. Os dados confirmam que a corrida pelo Palácio Iguaçu deve se intensificar nos próximos meses, sob o peso da polarização nacional e da força das máquinas partidárias.


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