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Rio de Janeiro amarga penúltima posição no Ideb apesar de liderar gastos, aponta estudo com caminhos de recuperação

Rio de Janeiro amarga penúltima posição no Ideb apesar de liderar gastos, aponta estudo com caminhos de recuperação


O estado do Rio de Janeiro vive uma contradição alarmante na educação pública estadual. Um levantamento recente detalha como o estado “perdeu” uma década inteira no setor, despencando para a penúltima posição do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no ensino médio, mesmo sendo o líder nacional em investimentos por aluno. O estudo, elaborado pelo movimento EducAçãoRio, traz luz sobre os gargalos estruturais e apresenta soluções urgentes para reverter o cenário e recuperar o ensino médio fluminense.

O abismo entre gastos e resultados reais

O diagnóstico revela uma enorme ineficiência na gestão do orçamento. Enquanto estados como Goiás — líder no Ideb — gastam em média R$ 10.704 anuais por estudante, o Rio de Janeiro investe R$ 19.580 por aluno ao ano, um valor 83% maior. Entretanto, esses recursos expressivos não têm chegado onde realmente importa.
Especialistas e profissionais da educação apontam que as verbas foram canalizadas para reformas físicas constantes e compras de materiais sem planejamento adequado, como volumes excessivos de livros didáticos que acabam ociosos e tecnologias de ponta (como realidade virtual e impressoras 3D) que as escolas não conseguem utilizar devido à falta de infraestrutura básica ou de internet funcional.
Enquanto isso, a valorização salarial dos professores e o suporte pedagógico direto dentro das salas de aula continuam negligenciados, gerando uma profunda desmotivação e greves frequentes na rede.

Defasagem no ensino integral e profissionalizante

Outro indicador crítico apontado pelo estudo do EducAçãoRio diz respeito ao modelo de ensino oferecido aos jovens do estado:

  • Ensino em Tempo Integral: Enquanto estados de destaque nacional têm cerca de 40% de suas matrículas no ensino médio sob o regime de tempo integral, o Rio de Janeiro registra apenas 14% de seus estudantes nessa modalidade, ficando abaixo da média nacional, que é de 26%.
  • Ensino Profissionalizante: A situação é ainda mais grave no ensino técnico, onde o Rio atende apenas 10% dos alunos, contra 22% da média brasileira e 18% da média da Região Sudeste.

Caminhos para “virar o jogo” na educação fluminense

Apesar do cenário preocupante, os autores do estudo e lideranças do setor produtivo e social enfatizam que o Rio de Janeiro não precisa começar do zero. O próprio estado já foi uma referência positiva no passado e agora pode buscar inspiração em modelos consolidados de outras unidades da federação.
Entre as principais recomendações para reestruturar o ensino no estado estão:

  1. Replicar boas práticas nacionais: Adotar políticas inspiradas nos modelos de sucesso de estados como Pernambuco, Ceará e Goiás, com foco em metas claras de aprendizagem e bônus de desempenho.
  2. Foco na valorização docente: Redirecionar os investimentos para garantir a recomposição salarial dos professores, capacitação continuada e melhores condições cotidianas de trabalho.
  3. Expansão planejada do tempo integral: Focar a aplicação de recursos em uma ampliação sustentável das escolas de tempo integral que realmente preparem o jovem para o mercado de trabalho.
  4. Continuidade de políticas públicas: Transformar a educação em um projeto de Estado, superando a descontinuidade administrativa que ocorre a cada troca de governo.
    Lideranças empresariais e da sociedade civil fluminense reforçam que a transformação depende de uma mobilização política ampla, que envolva diretamente o governador e vá além da própria Secretaria de Educação. O momento exige compromisso orçamentário transparente e, acima de tudo, o foco total das decisões públicas na qualidade do aprendizado dentro da sala de aula.

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