A corrida presidencial para as eleições de 2026 abriu uma crise interna profunda no Partido Novo, evidenciando as divisões da direita brasileira sobre a postura em relação ao bolsonarismo. Após o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), disparar duras críticas contra as relações financeiras do senador e também pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), o diretório do Novo em Santa Catarina reagiu de forma drástica, desconvidando Zema de um importante evento partidário no estado e ameaçando vetar o apoio à sua candidatura.
O estopim da crise ocorreu após declarações recentes de Zema, que afirmou em entrevista que “quem anda com bandido merece ser visto com cautela”, referindo-se aos vínculos de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A fala gerou revolta imediata na ala bolsonarista do PL — com o irmão de Flávio sugerindo um rompimento nacional entre os partidos — e ecoou fortemente na região Sul do país, onde o Novo adota uma estratégia de forte alinhamento com o PL.
Reações e o racha no diretório do Sul
A repercussão no Sul expôs o dilema estratégico do Novo entre manter uma identidade liberal independente ou atuar como linha auxiliar do bolsonarismo:
- Santa Catarina: O presidente do diretório catarinense, Kahlil Elias Assib Zattar, cancelou a participação de Zema no encontro de Joinville previsto para julho, justificando que a fala prejudica a união da direita e a construção de uma alternativa vitoriosa para 2026.
- Paraná: O diretório paranaense — que conta com lideranças alinhadas ao PL local — também já havia manifestado que Zema errou ao tensionar a relação com os Bolsonaro, defendendo a manutenção das alianças regionais.
- Críticas internas: Ala de fundadores e antigos membros do partido criticaram a submissão dos diretórios do Sul ao bolsonarismo, afirmando que a legenda perdeu sua governança e princípios de independência ao punir o próprio pré-candidato.
Zema tenta acalmar os ânimos e foca no segundo turno
Diante do risco de isolamento político e da pressão das bases partidárias, Romeu Zema adotou uma postura mais moderada nos últimos dias. Durante participação em um fórum econômico em São Paulo, o mineiro evitou novas críticas diretas ao senador Flávio Bolsonaro e pregou pragmatismo político.
”Eu não tiro nada do que eu falei, está dito, mas estou olhando para o futuro agora. A direita vai estar unida no segundo turno, sim. Se eu discordo dele [de Flávio], eu discordo muito mais do PT”, declarou Zema.
O ex-governador ponderou que as parcerias estaduais entre o Novo e o PL caminham bem e que um rompimento definitivo é improvável. Enquanto pesquisas recentes de institutos como a Futura/Apex apontam o atual presidente Lula com vantagem nas intenções de voto e Flávio Bolsonaro liderando o campo da oposição, o Novo se vê pressionado a decidir se manterá Zema como cabeça de chapa independente ou se cederá ao pragmatismo eleitoral de apoiar o PL já no primeiro turno.
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