Trump cancela ida de Witkoff e Kushner ao Paquistão e Abbas Araghchi mantém ofensiva diplomática

O cenário diplomático em Islamabad sofreu uma reviravolta drástica nas últimas 24 horas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o cancelamento da viagem de seus enviados especiais, Steve Witkoff e Jared Kushner, ao Paquistão, onde participariam de uma nova rodada de negociações mediadas para encerrar o conflito com o Irã.
A decisão foi comunicada por Trump através de suas redes sociais, alegando que a viagem seria uma “perda de tempo” devido à suposta desorganização interna do governo iraniano. O presidente americano afirmou que “tem todas as cartas na mão” e que, se Teerã deseja dialogar, deve tomar a iniciativa de ligar diretamente.

A movimentação iraniana

Enquanto Washington recuava, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, concluiu uma série de reuniões de alto nível com autoridades paquistanesas, incluindo o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o chefe do exército, general Asim Munir.

  • Propostas em jogo: Araghchi entregou formalmente uma contraproposta de 10 pontos que exige o fim do bloqueio naval e o levantamento de sanções.
  • Próximos passos: Após deixar o Paquistão brevemente para consultas em Omã e na Rússia, há indícios de que o chanceler iraniano deve retornar ao Paquistão para dar continuidade à mediação, consolidando o país como o principal eixo diplomático da crise.

O impasse em Islamabad

A mediação paquistanesa tem sido intensa. Na última semana, um cessar-fogo temporário de duas semanas foi estabelecido para permitir o diálogo, mas a desistência da delegação americana coloca a trégua em risco.

“Acabamos de receber um novo documento deles [Irã], dez minutos após o cancelamento, que é muito melhor do que o anterior”, afirmou Trump a jornalistas antes de embarcar no Air Force One, sugerindo que a tática de pressão pode estar surtindo efeito, embora tenha mantido a suspensão da viagem oficial.

Principais pontos de atrito

Apesar do otimismo cauteloso de alguns mediadores, as negociações travam em três pontos fundamentais:

  1. Estreito de Ormuz: Os EUA exigem a reabertura imediata e total para o fluxo de petróleo.
  2. Programa Nuclear: Divergências profundas sobre o estoque de urânio enriquecido do Irã.
  3. Sanções Econômicas: O Irã recusa-se a assinar qualquer acordo definitivo enquanto o cerco aos seus portos for mantido.
    A ausência de Kushner e Witkoff em Islamabad deixa o Paquistão na posição solitária de “ponte” entre duas potências que, no momento, parecem preferir a comunicação indireta através de documentos e declarações públicas.

Deixe um comentário