O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou drasticamente o tom contra o Irã ao afirmar que o acordo provisório de paz entre os dois países “acabou”. Em declarações dadas nesta quarta-feira (8), ao lado do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, Trump acusou o regime iraniano de ter “mentido” e violado o entendimento “diariamente”, além de reforçar que Teerã jamais poderá possuir armas nucleares.
A escalada verbal reflete o colapso do Memorando de Islamabad, assinado em 17 de junho para encerrar o conflito iniciado no começo deste ano. A fragilidade da trégua ruiu por completo após novas ofensivas na região do Golfo. O Irã realizou ataques contra navios comerciais e bases norte-americanas na região, gerando forte reação do Comando Central dos EUA (CENTCOM), que realizou bombardeios retaliatórios contra dezenas de alvos militares iranianos.
Pressão no Estreito de Ormuz e impactos no mercado
Com o recrudescimento dos combates, Trump mencionou a retomada imediata de medidas rígidas de pressão e operações de desminagem no Estreito de Ormuz. A região é um dos pontos geopolíticos mais sensíveis do planeta, por onde transita cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente. O fechamento ou a insegurança na rota já acendeu alertas no mercado financeiro, injetando riscos de inflação devido à volatilidade nos preços do barril de petróleo cru.
”Não sei se os dois lados terão um acordo duradouro. Talvez isso tenha que ser feito sem um acordo, porque seria mais fácil”, declarou o republicano, minimizando as chances de um consenso diplomático formal no curto prazo.
Cenário de incertezas
Apesar de declarar o fim do pacto interino e prometer novas retaliações pesadas caso as provocações continuem, o presidente norte-americano não confirmou se o país entrará em um estado de guerra total declarada de forma permanente. Por outro lado, o governo iraniano — que vive um momento de transição e forte apelo nacionalista após a recente morte do líder supremo Ali Khamenei — condenou as ações de Washington, classificando-as como violações de soberania e prometendo salvaguardar seus interesses de segurança no Estreito de Ormuz.
A comunidade internacional acompanha com apreensão o desenrolar das próximas horas no Oriente Médio, com diplomatas ainda tentando nos bastidores evitar um conflito em larga escala que desestabilize permanentemente o fornecimento global de energia.
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