O senador Davi Alcolumbre, atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e figura central na articulação política do Senado, indicou que não pretende criar obstáculos ou interferir na missão internacional organizada por parlamentares de oposição para apoiar o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem. A decisão reforça a postura do senador de evitar embates diretos em temas que inflamam a polarização entre o bolsonarismo e o Judiciário.
A missão, composta majoritariamente por parlamentares de direita, tem como objetivo viajar aos Estados Unidos para denunciar o que classificam como “perseguição política” contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O foco recente da comitiva é a situação jurídica de Ramagem, que enfrenta investigações no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).
O contexto das investigações e a situação de Ramagem
Alexandre Ramagem, que foi indiciado pela Polícia Federal em 2025 no inquérito da “Abin Paralela”, é acusado de participar de um esquema de espionagem ilegal de autoridades e adversários políticos durante sua gestão na Agência Brasileira de Inteligência.
- Indiciamento: A PF concluiu que houve monitoramento indevido de ministros do STF e uso da estrutura estatal para fins políticos.
- Ações no STF: Embora a Câmara tenha chegado a votar pela suspensão de ações penais contra o parlamentar em maio de 2025, o Supremo manteve o rito processual após o deputado perder o mandato, retomando denúncias por danos ao patrimônio e tentativa de golpe de Estado.
- Articulação nos EUA: A oposição busca agora apoio internacional, alegando que as medidas tomadas pelo ministro Alexandre de Moraes excedem os limites constitucionais.
A estratégia de Alcolumbre
Ao não intervir, Alcolumbre mantém uma distância calculada. Como favorito para retornar à presidência do Senado em 2025/2026, ele busca equilibrar a relação com a base governista e a oposição. Interromper uma missão oficial — que depende de trâmites administrativos e aval do plenário — poderia gerar um desgaste desnecessário com a ala bolsonarista em um momento de consolidação de poder interno.
Nota: Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos que envolvem Ramagem, também não sinalizou intenção de barrar a viagem dos parlamentares, tratando a comitiva como uma questão de “natureza administrativa” das Casas Legislativas.
Próximos passos
A comitiva deve embarcar nos próximos dias. Enquanto isso, no Senado, Alcolumbre prioriza pautas de interesse do governo e do Judiciário na CCJ, como a indicação de autoridades e reformas econômicas, deixando o “front” ideológico para os debates em plenário.




