O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, utilizou a cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência, realizada nesta terça-feira (21) em Ouro Preto, para traçar um paralelo histórico entre a revolta mineira do século XVIII e o cenário político atual do Brasil. Em um discurso marcado por tons críticos, Zema comparou o sacrifício de Tiradentes à necessidade de enfrentar o que chamou de “intocáveis”, em uma referência direta aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O discurso no Altar da Pátria
Durante o evento, que celebra a data magna do estado e homenageia personalidades que contribuíram para o desenvolvimento social e cultural, o governador enfatizou que a liberdade, pilar do movimento inconfidente, volta a estar sob ameaça. Segundo Zema, os “inimigos da liberdade” hoje ocupariam postos em Brasília, exercendo um poder que, em sua visão, ignora o equilíbrio entre as instituições.
“A Inconfidência Mineira não foi apenas um grito contra impostos, mas contra o abuso de autoridade. Hoje, vemos o ressurgimento de uma casta de intocáveis que decide o destino da nação à revelia da vontade popular”, afirmou o governador durante a solenidade.
Contexto e repercussão política
As declarações de Zema ocorrem em um momento de alta tensão entre o Poder Executivo mineiro e o Judiciário federal. Recentemente, o governador tem se alinhado a pautas que questionam o alcance das decisões do STF, especialmente em temas relacionados à liberdade de expressão e à autonomia dos estados.
- Público Presente: A cerimônia contou com a presença de parlamentares da base aliada e autoridades locais.
- A Medalha: Tradicionalmente, a honraria é concedida no feriado de Tiradentes. Este ano, a escolha de alguns homenageados também refletiu o posicionamento político da gestão estadual.
- Reações: Líderes de oposição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais criticaram o uso da data histórica para fins de embate institucional, argumentando que a cerimônia deveria ser um momento de união e respeito à democracia.
Histórico de embates
Não é a primeira vez que o governador utiliza datas cívicas para marcar posição contra o STF. Analistas políticos sugerem que essa postura reforça a base de apoio de Zema no campo da direita nacional, consolidando seu nome como uma das lideranças que vocalizam o descontentamento com o ativismo judicial no país.
Até o fechamento desta edição, o Supremo Tribunal Federal não havia emitido nota oficial sobre as declarações do governador. A cerimônia em Ouro Preto seguiu com a entrega das medalhas aos agraciados do ano, sob forte esquema de segurança e olhares atentos da política nacional.




