Eduardo Pimentel e Paulo Martins consolidam gestão em Curitiba sob sombra de divisões internas no PL e União Brasil

​A sucessão do governo em Curitiba, que culminou na vitória de Eduardo Pimentel (PSD) e Paulo Martins (PL) no segundo turno de 2024, abriu um novo capítulo na política paranaense. O que antes era uma disputa de bastidores pela “benção” de Jair Bolsonaro e Ratinho Junior, transformou-se agora em um desafio de governabilidade e manutenção de alianças, especialmente diante do racha interno que marcou o Partido Liberal (PL) e a atuação da família Francischini.

​O fator Francischini e o racha no PL

​A influência de Felipe Francischini (atualmente no União Brasil) e de seu pai, o ex-deputado Fernando Francischini, continua a ecoar nas decisões do PL municipal. Embora Felipe presida o União Brasil no Paraná, a dinâmica de poder em Curitiba sempre passou pela articulação da família com a base bolsonarista.

​O “racha” mencionado por observadores políticos refere-se à resistência de uma ala mais ideológica do PL, que inicialmente flertou com candidaturas próprias ou apoios mais à direita — como o de Cristina Graeml (PMB) — em oposição à chapa “oficial” apoiada pelo governador Ratinho Junior. Paulo Martins, agora vice-prefeito e titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, emergiu como o ponto de equilíbrio, conseguindo unificar a legenda após intensas negociações que envolveram diretamente a cúpula nacional do PL.

​Atualidade: Paulo Martins assume o comando interino

​Dando provas da sintonia com o titular, Paulo Martins assumiu interinamente a Prefeitura de Curitiba em janeiro de 2026, durante viagem oficial de Eduardo Pimentel ao exterior. O gesto reforça a confiança na aliança PSD-PL, mas não apaga as marcas da eleição.

​Enquanto Pimentel busca manter uma gestão técnica e de continuidade ao trabalho de Rafael Greca, Martins atua como o elo com o setor produtivo e com a direita conservadora, tentando evitar que as fissuras expostas durante a pré-campanha de 2024 — quando nomes como Ricardo Arruda (PL) e o próprio clã Francischini disputavam o protagonismo da direita — voltem a desestabilizar a base aliada.

​O cenário para 2026

​O racha em Curitiba não foi apenas um evento isolado, mas um ensaio para as eleições estaduais de 2026. Felipe Francischini, à frente do União Brasil, já sinaliza movimentos para fortalecer o partido ao lado de figuras como Sergio Moro, o que pode colocar o grupo em rota de colisão ou de nova composição com o PL de Paulo Martins e o PSD de Ratinho Junior.

​A justiça eleitoral também desempenhou seu papel recente: em maio de 2025, a chapa Pimentel-Martins foi absolvida de acusações de abuso de poder político, garantindo estabilidade jurídica ao mandato. Livre dos processos, a gestão agora foca em obras estruturantes, como o BRT Leste/Oeste, enquanto os bastidores fervem com a reorganização das forças que pretendem herdar o trono estadual no próximo ciclo.

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