Irá rebate EUA após fim da reunião pela paz”Não ganharam a nossa confiança”

As esperanças de um desfecho diplomático imediato para o conflito entre Irã e Estados Unidos sofreram um duro golpe neste fim de semana. Após uma maratona de 21 horas de conversas em Islamabad, no Paquistão, a delegação iraniana rebateu duramente a postura de Washington, afirmando que os americanos “não ganharam nossa confiança” e que as exigências apresentadas na mesa foram “irrazoáveis”.

O impasse em Islamabad

O encontro, considerado histórico por ser a primeira reunião presencial de alto nível entre os dois países em anos, terminou com as delegações deixando a capital paquistanesa sem a assinatura de um tratado de paz. O clima de desconfiança mútua prevaleceu:

  • A posição do Irã: O presidente do Parlamento, Mohammad Qalibaf, e o chanceler Abbas Araghchi argumentaram que Teerã apresentou propostas construtivas, mas que os EUA falharam ao não oferecer garantias concretas. Qalibaf declarou no X (antigo Twitter) que agora cabe a Washington decidir se quer ou não conquistar a credibilidade necessária para um acordo.
  • A posição dos EUA: O vice-presidente J.D. Vance, que liderou a equipe americana, afirmou que os termos apresentados por Donald Trump eram a “melhor e última oferta”. Vance enfatizou que o impasse nuclear e a segurança no Estreito de Ormuz são pontos inegociáveis para a Casa Branca.

Reflexos globais e ameaça em Ormuz

A falta de um consenso já provoca tremores na economia e na segurança internacional. Com o fim das negociações, o preço do petróleo Brent subiu, superando a marca de US$ 100 por barril.

“Os EUA compreenderam a lógica do Irã. Agora é o momento de decidirem se podem ou não conquistar a nossa confiança”, afirmou Mohammad Qalibaf.

Principais pontos de atrito que impediram o acordo:

  1. Controle Marítimo: O Irã exige o controle total do tráfego no Estreito de Ormuz, enquanto Trump ameaça um bloqueio total da Marinha dos EUA para garantir o fluxo de petróleo.
  2. Ativos Financeiros: Teerã condiciona a paz ao desbloqueio de fundos internacionais congelados por sanções.
  3. Conflitos Regionais: A continuidade dos ataques israelenses no Líbano é vista pelo Irã como uma violação do espírito de qualquer trégua.

Próximos passos

O governo do Paquistão, que atuou como mediador, informou que continuará tentando aproximar as partes para evitar uma escalada ainda maior da guerra, que já deixou mais de 4 mil mortos. Por enquanto, o cessar-fogo permanece extremamente frágil, com ambas as potências mantendo suas forças militares em estado de alerta máximo.

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