PCdoB acusa Sandro Alex de ser “laranja” de Ratinho Junior para favorecer Moro

O cenário político paranaense para as eleições de 2026 entrou em ebulição após o governador Ratinho Junior (PSD) confirmar o nome do deputado federal e ex-secretário de Infraestrutura, Sandro Alex (PSD), como seu pré-candidato oficial à sucessão estadual. A escolha, anunciada em meados de abril, disparou uma saraivada de críticas da oposição, liderada pelo PCdoB, que classifica a movimentação como uma estratégia de “marketing” para beneficiar o senador Sergio Moro (União).

A tese do “candidato laranja”

A cúpula do PCdoB no Paraná não poupou palavras ao analisar a indicação. Para o partido, a candidatura de Sandro Alex carece de densidade eleitoral própria e serviria apenas para “guardar lugar” ou fragmentar o campo governista de forma a facilitar o caminho para Moro.
Segundo os opositores, haveria um “acordo branco” entre Ratinho Junior e o ex-juiz da Lava Jato. A acusação sugere que:

  • Sandro Alex seria um nome “sacrificável” ou de fachada (o termo “laranja” foi usado para descrever alguém que não teria intenção real de vencer, mas de cumprir um papel tático).
  • A manobra permitiria que Ratinho Junior mantivesse sua base unida formalmente, enquanto, nos bastidores, o apoio real migraria para Sergio Moro, que busca consolidar sua força no estado para o governo ou para a manutenção de sua influência política.

Crise na base aliada e racha no PSD

A escolha de Sandro Alex não gerou revolta apenas na esquerda. Internamente, a base de Ratinho Junior enfrenta turbulências:

  1. Rebelião interna: O deputado Moacyr Fadel (PSD) declarou abertamente que não apoiará Sandro Alex, criticando a falta de construção coletiva na escolha do nome.
  2. O fator Greca: O ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (MDB), que nutria esperanças de ser o ungido do governador, reafirmou sua intenção de concorrer ao Palácio Iguaçu, possivelmente criando uma terceira via de peso que isola ainda mais o nome escolhido pelo PSD.
  3. A “sombra” de Moro: Setores da política paranaense já especulam uma “corrida em massa” de prefeitos e deputados em direção à candidatura de Sergio Moro, caso a viabilidade de Sandro Alex não se confirme nas pesquisas qualitativas nos próximos meses.

O que dizem os envolvidos

Sandro Alex tem se defendido apresentando-se como o “tocador de obras” do governo Ratinho Junior. Em declarações recentes, ele rechaçou o rótulo de candidato por conveniência, afirmando que sua missão é defender o legado da atual gestão e que o grupo tem capacidade técnica para dar continuidade aos projetos de infraestrutura no Paraná.

Nota do Jornalista: A estratégia de Ratinho Junior parece ser um jogo de xadrez de alto risco. Ao lançar um aliado fiel, ele tenta manter o controle da máquina, mas o rótulo de “candidato laranja” colado pela oposição e a insatisfação de nomes como Greca e Alexandre Curi podem acabar empurrando o eleitorado conservador diretamente para os braços de Sergio Moro, antes mesmo do início oficial da campanha.

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