Defesa de Ciro Nogueira questiona legalidade de busca e nega repasses de dono do Banco Master

BRASÍLIA – A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (7), uma operação de busca e apreensão em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). A medida, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), resultou no recolhimento de dispositivos eletrônicos, como celular e iPad, além de documentos. O foco da investigação reside em supostos repasses financeiros que teriam como origem o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Argumentos da defesa

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que representa o parlamentar, reagiu prontamente à ação policial. Em declaração à imprensa, o criminalista negou veementemente qualquer recebimento de “mesada” por parte de Vorcaro e classificou a operação como desproporcional e carente de base jurídica sólida.

“O que a defesa estranhou é o fato de ter uma busca e apreensão, que é uma medida altamente invasiva, com base na análise somente de celular de terceiro”, afirmou Kakay.

A defesa sustenta que a decisão judicial se apoiou exclusivamente em mensagens encontradas em aparelhos de outras pessoas, sem que houvesse, até o momento, indícios diretos provenientes de dispositivos do próprio senador. Para os advogados, a medida fere o princípio da razoabilidade, uma vez que a interação em aparelhos de terceiros não deveria ser suficiente para justificar uma invasão de privacidade contra um parlamentar.

O contexto da investigação

O nome de Daniel Vorcaro e do Banco Master surgiu no radar das autoridades em meio a apurações sobre movimentações financeiras suspeitas. Segundo as linhas investigativas iniciais citadas pelo gabinete do ministro André Mendonça, busca-se entender se houve algum tipo de vantagem indevida ou lobby facilitado em troca de aportes financeiros.
Principais itens apreendidos:

  • Celular de uso pessoal do senador;
  • iPad;
  • Documentos diversos em gabinetes e residências.

Próximos passos

A defesa de Ciro Nogueira informou que entrará com as medidas cabíveis para questionar a validade das provas colhidas, alegando que a operação foi “extrema”. Enquanto isso, o material apreendido passará por perícia técnica da Polícia Federal para identificar se as mensagens mencionadas nos celulares de terceiros encontram respaldo nos dados de Nogueira.
O senador, que é uma das principais lideranças do bloco do Centrão, ainda não se manifestou pessoalmente, deixando a interlocução a cargo de sua equipe jurídica. O Banco Master e Daniel Vorcaro também não emitiram notas detalhadas sobre o caso até o fechamento desta edição.

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