Brasília amanheceu sob o impacto de desdobramentos críticos no caso que envolve o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o Banco Master. Nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026, o presidente nacional do Progressistas rompeu o silêncio após ter sido alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na véspera. Em tom de forte indignação, o parlamentar classificou a ação como “perseguição política” e um “ataque maligno”, associando o timing da PF ao cenário eleitoral de 2026.
O cerne da investigação: Mesada e “Fundo Garantidor”
A operação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, apura um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, há indícios de que Ciro Nogueira recebia uma “mesada” que variava entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A contrapartida envolveria a “instrumentalização” do mandato parlamentar. Um dos pontos centrais é uma emenda apresentada pelo senador que visava elevar o limite de ressarcimento do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão — medida que beneficiaria diretamente as operações do Banco Master. Mensagens interceptadas sugerem que a própria assessoria do banco teria redigido o texto da emenda.
Além dos repasses em espécie, a PF identificou benefícios como:
- Custeio de estadias em hotéis de luxo em Nova York e jantares de alto padrão.
- Uso de um cartão de crédito pessoal de Vorcaro por parte do senador.
- Operações societárias imobiliárias com deságio estimado em R$ 12 milhões, envolvendo o irmão do senador, Raimundo Nogueira, que agora cumpre medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica.
O “jogo duplo” na delação de Daniel Vorcaro
Enquanto Ciro se defende, as atenções se voltam para a tentativa de delação premiada de Daniel Vorcaro. No entanto, o clima nos bastidores é de ceticismo. Investigadores da PF e da PGR consideram o conteúdo apresentado por Vorcaro como “requentado” e incompleto, alegando que o banqueiro estaria omitindo nomes para proteger aliados.
O ministro André Mendonça enviou um recado claro: para que o acordo seja homologado, a colaboração precisa ser “efetiva e séria”. Diante da insatisfação com a proposta inicial, a PF solicitou que Vorcaro retorne ao presídio comum, após um período em que esteve na superintendência para negociar o acordo.
Pressão por CPI no Congresso
A crise já transbordou para o Legislativo. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e outros nomes da oposição intensificaram a pressão para a instalação da CPI do Banco Master. O objetivo seria investigar a ascensão meteórica da instituição financeira e suas conexões políticas.
Por outro lado, o governo e aliados tentam conter o avanço da comissão. O líder do PT na Câmara, Pedro Paulo (PSD-RJ), chegou a afirmar que houve articulações prévias entre líderes do Centrão e da oposição para “engavetar” investigações sobre o banco em troca de outros acordos políticos.
Reações e Defesa
Ciro Nogueira sustenta que sua relação com Vorcaro é de mera amizade. “Daniel é meu amigo, como sou de todos os grandes empresários do Brasil. Vão me encontrar em festas e jantares, mas em nenhum tipo de negócio”, afirmou. O senador reiterou que renunciará ao mandato caso surja qualquer prova concreta de ilicitude contra ele.
Com a apreensão de celulares e documentos, a PF acredita que já possui material suficiente para avançar, independentemente do sucesso da delação de Vorcaro, o que coloca um dos principais líderes do Centrão em uma posição de vulnerabilidade inédita em pleno ano de campanha.




