Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro negociaram R$ 134 milhões para cinebiografia de Jair Bolsonaro

BRASÍLIA – Uma investigação publicada pelo portal The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria intermediado a captação de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões) com o banqueiro Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, para financiar a produção do filme Dark Horse. A obra é uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, com lançamento previsto para setembro de 2026, estrategicamente próximo às eleições presidenciais.
De acordo com registros de áudios, mensagens de WhatsApp e comprovantes bancários obtidos pela reportagem, as negociações ocorreram entre o final de 2024 e novembro de 2025. O montante negociado supera com folga os orçamentos de grandes produções do cinema nacional recente, como Ainda Estou Aqui (R$ 45 milhões) e O Agente Secreto (R$ 27 milhões) somados.

As evidências e o esquema de pagamento

As mensagens indicam uma relação de proximidade entre o senador e o banqueiro, a quem Flávio se referia como “irmão”.

  • Intermediação: O deputado federal Mário Frias (PL-SP) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro também teriam participado de reuniões para viabilizar o aporte.
  • Fluxo Financeiro: Parte do dinheiro, cerca de US$ 10,6 milhões, teria sido transferida entre fevereiro e maio de 2025 via empresas parceiras de Vorcaro para um fundo sediado no Texas, nos EUA, controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
  • Pressão por Parcelas: Em áudios de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro teria cobrado Vorcaro por atrasos nas parcelas, afirmando que a produção estava em um “momento decisivo”.

Prisões e desdobramentos judiciais

O caso ganha contornos mais graves devido ao cenário jurídico dos envolvidos. Daniel Vorcaro foi preso em novembro de 2025, acusado de envolvimento na maior fraude bancária da história do Brasil, que gerou um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Pouco após sua prisão, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.

Contradições: Na manhã de quarta-feira (13), ao ser questionado pessoalmente pelo Intercept sobre o financiamento, Flávio Bolsonaro negou as informações categoricamente, chamando-as de “mentira”. No entanto, horas depois, o senador mudou sua versão em vídeo nas redes sociais, confirmando ter buscado “patrocínio privado” para o filme do pai, alegando não haver uso de dinheiro público ou da Lei Rouanet.

O filme ‘Dark Horse’

A produção conta com nomes internacionais, como o diretor Cyrus Nowrasteh e o ator Jim Caviezel (conhecido por A Paixão de Cristo), que interpreta Jair Bolsonaro. O roteiro é atribuído a Mário Frias e foca em apresentar uma imagem positiva do ex-presidente para o público estrangeiro e doméstico.
A defesa de Daniel Vorcaro e os demais citados ainda não se manifestaram detalhadamente sobre o conteúdo específico das mensagens e áudios que indicam a triangulação financeira internacional. O Ministério Público investiga a origem e a legalidade das transferências para o fundo norte-americano.

Deixe um comentário