Deputados pedem investigação sobre relação entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro


BRASÍLIA – Um grupo de parlamentares, liderado por membros da oposição, protocolou nesta semana um pedido formal de investigação para apurar as conexões entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O pedido surge após a divulgação de reportagens que revelam negociações para um aporte milionário destinado a um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A polêmica ganhou força após o site The Intercept Brasil publicar áudios e mensagens em que Flávio Bolsonaro intermedeia um investimento de R$ 134 milhões (cerca de US$ 24 milhões) para a produção do longa-metragem intitulado “Dark Horse”. Nas mensagens, enviadas em novembro de 2025, o senador refere-se a Vorcaro como “irmão” e cobra agilidade na liberação de parcelas do patrocínio.

O esquema sob suspeita

De acordo com as investigações preliminares citadas pelos deputados, o fluxo financeiro envolveria transferências internacionais de empresas controladas por Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos. Esse fundo seria gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e outros parlamentares acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando não apenas a investigação, mas também o bloqueio de bens e a prisão preventiva do senador. O argumento central é que os valores negociados são desproporcionais para produções cinematográficas nacionais de grande porte e poderiam mascarar operações de lavagem de dinheiro.

Quem é Daniel Vorcaro?

Daniel Vorcaro é uma figura central em um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. O empresário foi preso pela Polícia Federal na “Operação Compliance Zero”, sob a suspeita de liderar uma organização criminosa responsável por fraudes bilionárias que causaram um rombo estimado em R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Além das fraudes bancárias, as autoridades investigam a origem dos recursos utilizados por Vorcaro para adquirir parte da SAF do Atlético-MG, com suspeitas de ligações com o crime organizado. O Banco Master foi liquidado em novembro de 2025, época em que as conversas com Flávio Bolsonaro ainda ocorriam.

O outro lado

Em nota oficial, o senador Flávio Bolsonaro confirmou a relação com Vorcaro e o pedido de patrocínio, mas negou qualquer irregularidade. Ele sustenta que o contato começou em 2024, antes das acusações públicas contra o banqueiro, e que a negociação é de natureza estritamente privada.
“É preciso separar os inocentes dos bandidos. O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público, zero de Lei Rouanet”, afirmou o senador. Flávio também declarou que nunca ofereceu vantagens indevidas em troca do investimento e que as críticas têm motivação política, visando prejudicar sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026.
O caso agora aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do STF para decidir se uma investigação criminal formal será aberta contra o senador.

Deixe um comentário