O vazamento de uma mensagem de voz em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) cobra “parcelas atrasadas” de um patrocínio milionário do banqueiro Daniel Vorcaro paralisou a ala bolsonarista paranaense, que recentemente selou aliança com o clã presidencial.
Curitiba, 14 de maio de 2026 – O cenário político do Paraná amanheceu em silêncio nesta quinta-feira. O senador Sergio Moro (PL) e as principais lideranças bolsonaristas do estado evitaram comentar o mais novo escândalo envolvendo a família Bolsonaro: um áudio vazado onde o senador Flávio Bolsonaro aparece cobrando R$ 134 milhões do empresário e banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O montante seria destinado à produção do filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, dirigida por Cyrus Nowrasteh e estrelada por Jim Caviezel. No áudio, Flávio demonstra preocupação com o atraso nos pagamentos, afirmando que a produção está em “momento decisivo” e que o não cumprimento dos compromissos poderia resultar em “calote” em astros de Hollywood.
O silêncio estratégico no Paraná
A revelação cai como uma bomba no diretório do PL paranaense, especialmente para Sergio Moro. O ex-juiz da Lava Jato, que se filiou ao PL em março de 2026 após um longo período de desavenças com o clã Bolsonaro, vinha tentando consolidar o Paraná como uma “fortaleza” do partido.
Moro, que construiu sua carreira política sobre a bandeira do combate à corrupção e das relações republicanas, agora se vê em uma saia justa. O silêncio do senador e de aliados como o deputado Filipe Barros reflete a dificuldade de justificar a relação de proximidade entre Flávio e Vorcaro, que foi preso em 13 de maio de 2026 tentando embarcar para Dubai, um dia após o envio de uma das mensagens de Flávio.
Defesa e Contra-ataque
Em nota oficial divulgada logo após o vazamento, Flávio Bolsonaro não negou a autenticidade do áudio, mas minimizou a gravidade. O senador afirmou que se trata de “patrocínio privado para um projeto privado” e que não houve uso de dinheiro público ou verba da Lei Rouanet.
”O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme sobre a história do próprio pai. Zero dinheiro público”, declarou Flávio. O senador ainda tentou inverter a narrativa, pedindo a “CPI do Master Já”, alegando que suas relações são lícitas, ao contrário das “relações espúrias do governo Lula com Vorcaro”.
O fator Vorcaro
Daniel Vorcaro e o Banco Master estão sob forte escrutínio desde que o Banco Central liquidou a instituição em novembro de 2025. As investigações do Ministério Público apontam que parte dos valores para o filme foi transferida via empresas parceiras em paraísos fiscais e fundos controlados por aliados de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
No Paraná, a oposição já se movimenta. Críticos afirmam que o silêncio de Moro e de seus correligionários indica uma “conivência seletiva” em nome da manutenção de um palanque forte para as eleições de 2026. Até o fechamento desta edição, nenhum dos parlamentares paranaenses citados no título havia se manifestado formalmente em suas redes sociais sobre o conteúdo do áudio.
Principais envolvidos citados:
- Flávio Bolsonaro (Senador PL-RJ): Autor do áudio cobrando os valores.
- Daniel Vorcaro (Dono do Banco Master): Alvo da cobrança e empresário preso recentemente.
- Sergio Moro (Senador PL-PR): Líder da aliança bolsonarista no estado, atualmente em silêncio.
- Jair Bolsonaro (Ex-presidente): Tema da cinebiografia que motivou o pedido de recursos.




