Líder operacional da milícia privada “A Turma” é transferido para a Penitenciária Federal de Brasília

O policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, de 56 anos, apontado pelas investigações da Polícia Federal (PF) como o líder operacional do núcleo criminoso denominado “A Turma”, desembarcou em Brasília para cumprir prisão preventiva na Penitenciária Federal de Brasília. O investigado foi transferido a partir do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), chegando ao Distrito Federal no início da noite sob forte esquema de segurança.
A transferência foi expressamente autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. A medida extrema foi adotada após a quebra de sigilo da decisão revelar que Marilson, mesmo já sob custódia em etapas anteriores, mantinha acesso a dados sigilosos e conseguia monitorar externamente o andamento de diligências da PF, coordenando ações de dentro do cárcere. O envio ao Sistema Penitenciário Federal busca garantir o isolamento necessário para interromper o fluxo de informações da rede.

O papel de “A Turma” e as ramificações na Operação Compliance Zero

As investigações da 6ª fase da Operação Compliance Zero detalham que “A Turma” funcionava como uma espécie de milícia privada a serviço dos interesses do banqueiro Daniel Vorcaro e de seu pai, Henrique Vorcaro — este último detido nesta nova etapa da operação, sob a acusação de ser o principal operador financeiro e o responsável por repassar as ordens e pagamentos mensais ao grupo.
A organização criminosa dividia-se em duas grandes frentes operacionais ativas:

  • “A Turma”: Sob a liderança operacional de Marilson Roseno, este braço era focado em intimidações presenciais, coações, levantamentos clandestinos de informações e vigilância de desafetos ou críticos do esquema.
  • “Os Meninos”: O núcleo tecnológico da organização, focado em invasões cibernéticas, quebra de sigilo telemático e derrubada coordenada de perfis em redes sociais.

Uso de rede infiltrada: De acordo com os autos do STF, o grupo operava com o auxílio de servidores ativos infiltrados, incluindo o agente da ativa Anderson Wander da Silva Lima, suspeito de vazar consultas de dados sigilosos e relatórios internos para blindar os cabeças da organização contra as ações das autoridades.

Negociações e cifras milionárias investigadas

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal expuseram a contabilidade do grupo. Em um dos diálogos interceptados, Henrique Vorcaro utilizava-se de repasses na ordem de R$ 400 mil mensais para a manutenção das atividades ilícitas. Em contrapartida, mensagens atribuídas a Marilson Roseno indicavam que o valor ideal cobrado para a operação da estrutura deveria girar em torno de R$ 800 mil.
Com a chegada do líder operacional ao Distrito Federal e a prisão de Henrique Vorcaro, a PF busca consolidar o encerramento das atividades de monitoramento ilegal e obstrução de justiça promovidas pelo grupo associado ao banco investigado.

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