A Justiça Federal aceitou a denúncia apresentada contra o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, pelo crime de antissemitismo. Com a decisão judicial, o dirigente partidário — que também é pré-candidato à Presidência da República — passa oficialmente à condição de réu e responderá pelas acusações em âmbito federal.
A denúncia decorre de uma série de declarações polêmicas dadas por Pimenta em transmissões oficiais do partido. Em manifestações recentes durante o programa “Análise Política da Semana”, veiculado nos canais da Causa Operária TV, o político proferiu falas que relativizavam e minimizavam o Holocausto, afirmando que a lembrança do genocídio de seis milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial era “uma farsa” utilizada com fins políticos para acobertar ações do sionismo.
As declarações provocaram forte reação e indignação imediata dentro da comunidade judaica brasileira. A Confederação Israelita do Brasil (Conib) liderou as críticas e os movimentos jurídicos, apontando que o discurso do dirigente configura, na prática, uma forma de negação e deturpação da memória do Holocausto, ultrapassando os limites do debate político e caracterizando crime de racismo e intolerância.
O presidente do PCO e seus apoiadores defendem-se alegando que as acusações fazem parte de uma “perseguição política” promovida por grupos defensores do Estado de Israel. De acordo com a legenda, Pimenta estaria exercendo o direito de crítica ideológica ao sionismo, negando teor antissemita em suas declarações.
A abertura da ação penal pela Justiça Federal marca um novo capítulo nos embates jurídicos enfrentados pela cúpula do PCO, partido de extrema-esquerda que já acumulou investigações em outros tribunais — inclusive no Supremo Tribunal Federal (STF) — por ataques a instituições democráticas e uso indevido da infraestrutura partidária mantida com recursos públicos. O processo seguirá os trâmites regulares para o recolhimento de provas e depoimentos das partes envolvidas.





