A Polícia Federal (PF) anunciou o fortalecimento das ações de combate ao crime organizado em territórios indígenas e áreas de fronteira localizadas na Amazônia Legal. O anúncio foi formalizado pelo diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, por meio da assinatura de um convênio de financiamento com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A medida visa ampliar o aporte financeiro e a capacidade operacional das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) para atuar em regiões de alta vulnerabilidade. A iniciativa faz parte do programa federal “Território Seguro, Amazônia Soberana: Proteção da Amazônia e da Faixa de Fronteira”, lançado durante o evento institucional “Brasil contra o Crime Organizado: Amazônia”, em Manaus.
O investimento e o envio de novos recursos operacionais respondem a uma mudança no perfil das atividades criminosas na Região Norte. Facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) deixaram de focar estritamente nas rotas internacionais de tráfico de drogas e passaram a controlar diretamente economias ilícitas locais dentro das florestas, unindo forças com redes clandestinas de garimpo ilegal, desmatamento, extração de madeira e grilagem de terras.
Estudos recentes e operações anteriores da corporação apontam que o crime ambiental passou a atuar como uma engrenagem financeira das facções, servindo tanto para a lavagem de dinheiro quanto para estabelecer o domínio territorial armado sobre comunidades nativas, a exemplo das Terras Indígenas Yanomami (RR/AM) e Munduruku (PA). O avanço dessas facções resulta em forte pressão sobre os povos originários, gerando violência contra lideranças locais, terror psicológico e o aliciamento forçado de jovens.
Com as novas equipes e o suporte financeiro ampliado nas bases da Amazônia Legal, a Polícia Federal pretende desestruturar as lideranças dessas organizações, combater a lavagem de capitais que financia o maquinário no interior das reservas e recuperar a soberania do Estado em áreas isoladas.





