A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito sobre a morte de uma adolescente de 16 anos, ocorrida em 25 de novembro de 2025, na cidade de Itaúna, região Centro-Oeste do estado. As investigações resultaram no indiciamento de sete médicos pelo crime de homicídio culposo, modalidade em que não há a intenção de matar, devido a falhas sucessivas e erros de diagnóstico no atendimento à paciente.
De acordo com o relatório da polícia, a jovem procurou atendimento em uma unidade hospitalar do município pela primeira vez no dia 20 de novembro de 2025, queixando-se de fortes dores abdominais. Naquela ocasião, ela recebeu o diagnóstico de gastroenterite viral e foi liberada para retornar para casa, sem que fossem solicitados exames complementares para aprofundamento do caso.
Retornos ao hospital e agravamento do quadro
Nos dias seguintes, diante da persistência e da piora acentuada dos sintomas, a adolescente retornou ao hospital por mais quatro vezes. Conforme apontado pelo inquérito policial, os médicos que a atenderam subsequentemente mantiveram a linha do diagnóstico inicial de gastroenterite, sem realizar uma investigação clínica aprofundada ou questionar a hipótese médica anterior, mesmo com o evidente declínio na saúde da jovem.
A gravidade real da situação só começou a ser identificada no dia 23 de novembro de 2025, quando exames laboratoriais e uma tomografia computadorizada foram finalmente solicitados e realizados. Os exames constataram que a paciente sofria, na verdade, de apendicite aguda.
A adolescente foi submetida a um procedimento cirúrgico de urgência na madrugada de 24 de novembro. Contudo, devido à demora para a identificação correta da doença, o quadro já havia evoluído para uma perfuração no apêndice e peritonite (inflamação generalizada da cavidade abdominal). A jovem não resistiu às complicações provocadas por um choque séptico e faleceu no dia seguinte.
Conclusão das investigações
A Polícia Civil reuniu uma série de provas técnicas, incluindo prontuários médicos, laudos periciais e depoimentos de testemunhas e dos profissionais envolvidos. A análise do conjunto probatório demonstrou negligência e falhas em cadeia na condução do atendimento médico hospitalar.
O inquérito relatado foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e ao Poder Judiciário, que deverão analisar o caso e decidir pela abertura de ação penal contra os sete profissionais indiciados.





