Centrão aciona o alerta após queda de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, mas adota cautela sobre os efeitos do escândalo do Banco Master

A divulgação da mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg abriu uma linha de discussão intensa nos bastidores de Brasília. O levantamento indicou uma oscilação negativa relevante nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL) para a corrida presidencial, fazendo com que partidos do Centrão ligassem o sinal de alerta. Apesar do receio com o desgaste da imagem do pré-candidato, lideranças de partidos como o PP, Republicanos e União Brasil tentam, publicamente, minimizar o recuo e avaliar se o impacto será duradouro.

O peso dos áudios no cenário eleitoral

O principal fator apontado para a variação nos números foi a repercussão do vazamento de áudios envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Nas gravações, Flávio cobra repasses milionários que seriam destinados ao financiamento do filme Dark Horse, obra que retrata a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A pesquisa AtlasIntel apontou os seguintes reflexos diretos no cenário de primeiro turno:

  • Queda nas intenções de voto: O percentual de apoio ao senador Flávio Bolsonaro recuou de 39,7% para 34,3% no principal cenário testado.
  • Aumento da rejeição: A desaprovação ao nome do parlamentar oscilou para cima, atingindo a marca de 52%.
  • Percepção pública: O levantamento indicou que 51,7% dos entrevistados enxergam indícios de envolvimento direto do pré-candidato em irregularidades no caso.
    O Partido Liberal (PL) chegou a acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em uma tentativa jurídica de barrar a divulgação dos dados, sob a alegação de que as perguntas do questionário teriam caráter indutor, mas a divulgação acabou mantida.

A reação de bastidores das lideranças do Centrão

Embora os números preocupem os articuladores da centro-direita, o tom adotado pelas principais siglas do bloco é de pragmatismo. Reservadamente, parlamentares apontam que oscilações são naturais em momentos de forte exposição midiática negativa e que ainda há tempo hábil para recalcular as rotas de marketing e ajustar o discurso.

“Ainda estamos distantes do período oficial de campanha e o eleitorado mais consolidado tende a digerir esses episódios. A preocupação real não é com a militância, mas sim com o eleitor de centro e com o mercado financeiro, que exigem estabilidade”, avaliou um influente deputado do Progressistas (PP) sob reserva.

Paralelamente, setores do bloco começam a observar alternativas caso a linha de desgaste se acentue nos próximos meses. Governadores alinhados à oposição, como Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO), voltam a ser mencionados como possíveis planos de contingência para os arranjos regionais, caso o teto eleitoral de Flávio seja severamente afetado pelo avanço das investigações legislativas e policiais.

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